domingo, 16 de julho de 2017

Como Lutar Pela Democracia?


Nos dias que antecederiam o afastamento da Presidenta Dilma Roussef de suas funções no Governo Federal, recordo que fomos até a Avenida da Universidade para um grande ato em prol da presidenta. Naquela ocasião aconteceram apresentações de diversos artistas, enquanto milhares de pessoas desfrutavam com tranquilidade de suas bebidas, comidas e outras questões. Não parecia que estávamos diante de um golpe de estado, mas sim em uma grande celebração da democracia. Enfim, encerrou-se aquele momento e no dia seguinte procedeu-se o afastamento da presidenta.

Passado um ano desses fatos e diante agora de um governo notoriamente corrupto e um judiciário aliado do mesmo, com direitos trabalhistas sendo retirados, desemprego ainda em alta e os pobres pagando pelo pato para sustentar os mais ricos do país, continuamos combatendo a ilegitimidade desse governo com os mesmos instrumentos que tornaram nossa luta fracassada anteriormente. Convocamos caminhadas, realizamos atos com artistas famosos, criamos aplicativos na internet, mas os deputados e senadores, juntamente ao presidente Temer, continuam a aprovar suas matérias questionáveis moralmente e financeiramente.

A luta popular não é um evento que nasce grande. Ela é a justa reação da classe oprimida, que, de forma pacífica ou violenta, espontânea ou organizada, escondida ou aberta, se contrapõe às diferentes formas de injustiça: exploração econômica, dominação política, manipulação ideológica, discriminação ou preconceito de cor, sexo, religião, idade (Peloso). Mas, o que temos visto aparentemente, e posso está enganado, é o desejo que essa luta nasça grande e que as massas simplesmente se integrem com o tempo. Há um distanciamento enorme entre os nossos dirigentes e as populações mais vulneráveis do país. Precisamos rever nossa estratégia de participação na luta popular.


Não adiante convocar diversos atos com artistas famosos, se a mensagem de liberdade não estiver no coração das periferias de cada cidade. Serão atos com muitas pessoas, mas sem nenhuma relevância para a retomada da democracia. As greves gerais precisam ser entendidas e planejadas pelos trabalhadores e trabalhadoras dentro das empresas, mas articuladas dentro das comunidades onde esses vivem, pois é lá que acontece diariamente a luta pela vida. Devemos contribuir para que o povo seja protagonista e tome a direção da barca. Não há outro caminho para a retomada da democracia. É hora de reconhecer a derrota e parar de passar mensagens cheias de ufanismo, que manipulam a realidade e nos conduz para um precipício ainda maior.  Reinventemos a luta e a democracia! 

Como Lutar Pela Democracia?

Nos dias que antecederiam o afastamento da Presidenta Dilma Roussef de suas funções no Governo Federal, recordo que fomos até a Avenida...