domingo, 21 de maio de 2017

Um Conjuntura Difícil de Explicar


Nenhum analista político conseguirá com facilidade explicar o momento político atual brasileiro. Parece que tivemos um racha profundo naqueles que orquestraram o golpe político contra a Presidenta Dilma Roussef. Temos as organizações Globo procurando derrubar o presidente ilegítimo Michel Temer, e temos o grupo da Folha de São Paulo e Estadão, buscando de todas as maneiras a manutenção do mesmo. Somam-se as forças do judiciário que também compraram a ideia de eleições indiretas, mesmo que disfarçadamente. Mas, também não podemos esquecer-nos do poder econômico, que não me parece satisfeito com a atual conjuntura. Diante desse cenário, algumas questões nós temos como certas:

Michel Temer, que ocupa a cadeira da presidência de forma ilegítima, precisa ser afastado imediatamente de suas funções.  As gravações feitas por dirigentes da JBS comprovam de maneira clara que o presidente tentou interferir nas investigações da Lava-Jato, como também comprou o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Baseado nessas gravações nós não temos dúvidas que o mesmo também foi um dos grandes articuladores do golpe de 2016. A Folha de São Paulo tentou minimizar as gravações e o próprio presidente atacou os delatores. Entretanto, a parte central da gravação está intacta e é comprovadamente verdadeira. Ainda no campo político, o Senador Aécio Neves deve ser imediatamente preso. Não somente por questões de recebimento de propina, mas por provar que é capaz de planejar o assassinato de qualquer pessoa que tentar interferir em seus planos. Será que ele já mandou assassinar alguém?

O Poder Judiciário não está livre de acusações e dúvidas sobre a idoneidade de alguns de seus representantes. A conversa entre Aécio Neves e Gilmar Mendes é a confirmação de uma relação que todos sabíamos que existia, mas que ainda nos faltavam provas reais. Gilmar Mendes sempre agiu como um advogado de causas de políticos corruptos, principalmente ligados ao PSDB. O que podemos pensar de Alexandre Moraes? Atual ministro do Supremo Tribunal Federal foi uma indicação do congresso brasileiro atual e do próprio Michel Temer. O currículo do ministro nos deixam dúvidas sobre sua capacidade de realizar julgamentos de forma isenta. E por fim, o Juiz Sérgio Moro, em sua luta por prender Lula, tem muito que se explicar: Por que vetou que perguntas fossem feitas a Michel Temer, ou mesmo, por que sempre diz que não vinha ao caso qualquer delação contra Aécio Neves ou políticos do PSDB?

A elite econômica e financeira não deseja eleições diretas. Ela é responsável por boa parte da crise econômica do país e parece está cansada da demora de Michel Temer em realizar as reformas trabalhistas e previdenciária. Não está preocupada com repercussão popular, por isso, diferente das organizações Globo, defende um nome do mercado para assumir a presidência do Brasil. Em outras palavras, não está interessada o que poder acontecer com o atual presidente, desde que se garanta que haverá eleições indiretas e que Henrique Meireles assumirá o posto. Essa estratégia é fácil de ser consolidada, pois como a JBS comprovou, mais de 300 deputados estão ligados ao poder econômico.

Não podemos finalizar essa análise sucinta de uma conjuntura imprevisível sem citarmos Lula e Dilma. As delações da JBS também apresentaram acusações contra os ex-presidentes. A notícia repassada por alguns jornais é que teriam sido repassados para os mesmos valores em torno de R$ 180 milhões em contas no exterior. Diferente das acusações contra Michel Temer, Aécio Neves e alguns deputados, não foram apresentadas gravações, documentos ou qualquer outro item que pudessem comprovar o envolvimento dos mesmos. Não deixa de ser estranho que alguém abra uma conta em seu próprio nome para depositar recursos para terceiros, já que essa foi à tática do líder da JBS. Entretanto, defendemos uma investigação (mais uma), para que se possam comprovar os atos ilícitos ou não. Enquanto isso, o que temos é mais uma vez acusações contra os ex-presidentes baseados apenas em falas de delatores.

Enfim, necessitamos seguir o caminho para a restauração da democracia em nosso país. Mas, só podemos celebrar o reencontro com a democracia através de uma profunda reforma política. As eleições diretas que estão sendo solicitadas pelos movimentos sociais é apenas um paliativo para um sistema já falido. O próximo presidente, juntamente com um congresso renovado, necessitará encaminhar junto à população a modernização e reconstrução do sistema político brasileiro. Uma nova eleição dará um alívio temporário à crise política brasileira, é o que temos para hoje, mas não é a salvação. 

(Régis Pereira, Fortaleza 21 de Maio 2017)

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