segunda-feira, 8 de maio de 2017

Individualismo x Espiritualidade


Tenho nos últimos dias voltado o meu olhar para a vida de Jesus Cristo, para que olhando para sua vida e atuação eu consiga me inspirar no desenvolvimento de uma espiritualidade tão radical como aquela vivida por ele. Tenho me deparado com a certeza que não é fácil tomar decisões baseadas em seus ensinamentos, sejam eles descritos ou somente vivenciados. Parece que estamos sempre um passo atrás nessa caminhada.

Estamos inseridos em uma sociedade marcada pelo individualismo. De acordo com o Frei Albert Nolan, o mundo ocidental só alcança a sua verdadeira identidade se estiver claramente separado dos outros e do resto do mundo que o rodeia. Entretanto, do ponto vista de todas as outras culturas do mundo isso é pura e simplesmente incompreensível. Uma pessoa que vive separada e isolada do resto da comunidade seria considerada infeliz. A interdependência, a coerência social e a confiança mútua são valores culturais altamente apreciados. Na África se costuma dizer: “Uma pessoa torna-se pessoa através de outras pessoas”.

Vemos esses aspectos na espiritualidade desenvolvida por Jesus. Para ele, a comunidade ou sociedade era mais como uma família de irmãos e irmãs, tendo Deus como pai cheio de amor. A imagem que ele tinha do Reino ou domínio de Deus era de uma casa de uma família feliz e transbordante de amor, não de um império conquistador e opressivo. Assim, o Reino de Deus não desceria do alto, mas subiria de baixo, do meio dos pobres, dos pequenos, dos pecadores, dos marginais, dos perdidos, das aldeias da Galiléia. Esses tornar-se-iam irmãos e irmãs, preocupando-se uns com os outros, identificando-se e protegendo-se mutuamente, partilhando tudo aquilo que tinham.

Esses ideais de comunidade, de partilha, de confiança mútua estão presentes na espiritualidade de Jesus. É um convite para nós vivermos em uma comunidade que possa ser marcada pelo perdão constante e ajuda aqueles e aquelas que mais necessitam. Cujas relações sejam transformadoras e nunca marcadas pela desconfiança ou medo. Se nosso caminho se aproxima do individualismo e o sectarismo, frutos de nosso egoísmo humano, demonstramos que não somos dependentes de Deus, e ainda por cima, nossos relações tendem a produzir discórdia e desconfiança. Confiar em Deus, como fez Jesus, não significa estar agarrados a Deus; significa deixar tudo, de modo a render a nossa pessoa e a nossa vida a Deus.

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