domingo, 2 de abril de 2017

Por que Prenderam Meu Tio?


Nos últimos dias minha família tem vivido dias de aflição, tristeza, indignação e inquietação, depois da invasão de nossa casa na Paraíba, culminando na prisão de meu tio, Ivonaldo Caetano, conhecido no bairro como Ronaldo Cabeleiro. Gostaria de poder compartilhar com vocês as ações ilegais dessa operação e ao mesmo tempo irresponsáveis. Não temos outras palavras que possam definir a esse ato de injustiça.

Na madrugada do dia 30 de março (quinta-feira), tivemos a residência dos meus avós invadida por policiais militares e civis, dentro de uma operação denominada Sualk que visava desarticular uma quadrilha de tráfico de drogas e homicídios. O mandato de busca e apreensão em nossa residência estava endereçado a “Ronaldo Cabeleiro”, pois em sua residência existia uma arma de fogo. Sem muitos detalhes, os agentes colocaram Ronaldo como integrante de uma quadrilha que praticava homicídios, sendo que ele era responsável pela distribuição de munições. Essa acusação não foi confirmada e nem comprovada, tanto que o inquérito relata apenas o crime de posse de arma, como motivo da prisão.

Quando os agentes chegaram chutaram o portão de entrada da casa, chegando a danificá-lo. Ronaldo, prontamente abriu a porta. Quando questionado se havia uma arma em casa, ele confirmou que sim e mostrou o lugar onde a mesma estava. Logo depois, apresentou o registro da arma, em nome do meu avô desde 1985.  Isso mesmo, a arma não pertence a Ronaldo, mas sim ao meu avô, que estava na residência no momento. Os agentes ignoraram o registro e rasgaram o mesmo. Logo depois conduziram Ronaldo até a delegacia. Na delegacia, quando questionado falou a quem pertencia à arma. Nesse momento, já estava algemado, sendo filmado e retratado pelos agentes da polícia e mídia como participante de uma perigosa quadrilha de tráfico de drogas e homicídio.

O delegado nesse momento exigiu uma fiança de R$ 40 mil. Com a presença do advogado, diminuiu para R$ 20 mil. Sem condições de poder desembolsar esse valor, Ronaldo foi conduzido ao Presídio de Segurança Máxima. O crime, posse de uma arma, que não era sua, cujo dono estava na residência. Acrescento que o mesmo foi conduzido ao presídio, em recuperação de uma cirurgia. Fazia 20 dias que o mesmo passou por processos cirúrgicos e tinha um atestado de 60 dias de repouso. Nada, nenhuma dessas questões: registro da arma, recuperação de cirurgia, primariedade foi levado em conta, apenas o desejo do encarceramento de um homem pobre, negro e trabalhador.

Resumo a ilegalidade da ação nos seguintes pontos: 1. A arma estava registrada e dono da mesma estava na residência. 2. Se tivesse que prender alguém seria o meu avô de 84 anos, cujo em nome está o registro da arma. 3. Os agentes ignoraram o registro e rasgaram o mesmo. Uma ação de violência sem medidas. 4. Foram pedidos valores exorbitantes de fiança, e conduziram ao presídio um homem que estava de licença médica, se recuperando de uma cirurgia. 5. Se houvesse algum crime, teria que ser levado em conta à primariedade, entretanto, o mesmo segue preso por erros dos agentes e da justiça.
   
Eu poderia encerrar esse texto levando em conta apenas o caso de um parente. Não gostaria de fazer isso, mas relatarei mais duas ações de ilegalidade nessas prisões. Na mesma madrugada foi preso um gari, que tinha um nome idêntico a de um suspeito de crimes na cidade. Foi solicitado para ele uma fiança de mais de R$ 4 mil. Ele foi pego na saída de sua residência, enquanto se dirigia ao presídio. Sem nenhuma prova, o despreparo da polícia colocou mais um inocente no presídio. Outro caso, uma jovem mãe, negra, foi presa acusada de envolvimento nessa quadrilha de tráfico. Ela está amamentando uma criança de 1 mês. Quando a família levou a criança para ser amamentada no presídio, os agentes não permitiram a entrada da criança, pois a mesma ainda não tinha sido registrada.

Se esses casos que estou relatando já constatam a violência presente na periferia de Patos, PB, saibam que escutei muitos outros nesses dias na cidade. É preciso urgentemente trabalhar a relação da polícia com as comunidades. Estabelecer parâmetros de atuação que não sejam violentos e que não tenham a tortura como instrumento de trabalho. Acima de tudo, que não possam colocar inocentes em presídios, com investigações que não são bastante claras.


Por que prenderam o meu tio? Tire suas conclusões. Nós só queremos justiça. 

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