sábado, 19 de novembro de 2016

Traficamente Em Estado Grave Ou Policial Levemente Ferido



Não somos mais uma sociedade a beira do caos, creio que já estamos no centro dele e não está claro para nenhum de nós como sair. As reivindicações por direitos sociais potencializaram as repressões e a violência tornou-se evidente, institucionalizada e “democraticamente” apoiada pela maioria das pessoas. Somos uma sociedade do imediatismo, que se nega a fazer reflexões e buscar as soluções para os problemas que temos enfrentado. Voltamos a dividir o mundo em bem e mal, sendo que qualquer um que não esteja de acordo com o meu pensamento, ideologia, religiosidade torna-se evidentemente o meu inimigo, alguém a ser combatido e eliminado. Não há espaços para construções coletivas e sínteses de pensamentos. O acesso à informação também se tornou o instrumento da desinformação e canal da manipulação de grandes indústrias de comunicação.

Para que possa ser claro nas afirmações acima, ilustro a guerra diária entre os chamados “homens de bem” e os “defensores de direitos humanos”. Indo mais profundamente nesse exemplo, podemos citar os casos envolvendo a Polícia Militar brasileira e os defensores de um novo sistema de segurança que preveem uma polícia cidadã e não militarizada. Ambas as partes, em muitos momentos, deixam-se levar pelas palavras e atos de violência, da qual não creio que sejam o caminho para vivermos em uma sociedade que garanta a segurança de todos. Como um militante dos direitos humanos temos que buscar estar atentos para não repetir o discurso e os atos de violência dos opressores. Nessa semana, a morte do jovem Guilherme, assassinado pelo seu próprio pai, deixa evidente que o discurso violento se tornou prática violenta.

Outra evidência de onde chegamos em nossa miserabilidade e mediocridade humana é uma pesquisa feita pelo um canal de televisão brasileiro onde se perguntava quem deveria ser resgatado: Um policial levemente feriado ou um traficante gravemente ferido. Muitas pessoas criticaram o fato de que o escolhido para ser salvo foi aquele que estava gravemente ferido. Deixa-se de lado a humanidade, a solidariedade e como diria alguns cristãos, o amor ao próximo, e usa-se o ódio como instrumento norteador para a tomada de decisões. Livres do ódio, saberíamos sem nenhuma questão de dúvida que o primeiro a ser resgatado é o que está gravemente ferido. Não há fundamentos legais, morais ou éticos que nos façam pensar diferente. Infelizmente, o que vimos foram tentativas de justificar a violência em nossa sociedade sem nenhuma reflexão. Quem defende a morte por gostar da morte em nada se diferencia do traficante ou bandido, é assassino da mesma forma.

Como citei inicialmente, estamos em meio ao caos e não sabemos para onde caminhar. A degradação humana e a violência estabelecerem impérios poderosos demais. As massas parecem ter escolhido o caminhar violento. Se não escolheram estamos hipnotizados pelo poder da grande mídia. Como um cristão, tenho escolhido o caminho ensinado por Jesus, o caminho de socorrer o judeu ferido à beira da estrada, mesmo sendo eu um samaritano. Talvez pudéssemos ter nesse texto diversas outras elucidações sobre o papel da polícia militar, o desafio dos direitos humanos e outras questões básicas. Mas, por hoje estou repetindo as palavras do poeta José Régio: “Não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí”!  Entre o traficamente em estado grave ou o policial levemente ferido, eu escolho ter misericórdia. 

(Pr. Régis Pereira, Igreja Presbiteriana Independente de Jardim Iracema)

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