sexta-feira, 11 de março de 2016

Brasil, O Golpe Que Bate A Nossa Porta


As duas últimas semanas dentro do mundo político foram marcadas por um conjunto de ações que nos parecem bastante alinhadas. É impossível que as investigações recentes, pedidos de prisões, operações da Polícia Federal tenham sido uma triste coincidência. As delações, mesmo sem confirmações, estamparam as páginas dos jornais. A cobertura feita pelo jornalismo, digamos de passagem, das Organizações Globo e parceiros, traze-nos a certeza que a mídia conservadora deseja o fim de um governo eleito democraticamente pelo povo.

O desejo da oposição, como também de boa parte da alta classe média brasileira, sempre foi derrubar o governo petista. Não conseguiram fazê-lo através dos instrumentos legais, por isso caminham para ilegalidade em prol da conquista dos seus objetivos. Não chegam a nos causar espantos tais atitudes. Parece que vivemos um ciclo infindável de golpes políticos no Brasil. Foi assim em 1964, está sendo assim, em 2016: a demonização das forças políticas de esquerda em prol de uma moralidade de direita, conservadora e ao mesmo tempo ignorante, pois desconhecem seus próprios princípios.

Todas as reportagens não confirmadas aconteceram a uma semana das manifestações, conhecidas como megas manifestações das elites brasileiras. A ideia é poder criar um ambiente de grande estabilidade que possa levar milhares de pessoas as ruas. O alvo não é a denúncia da corrupção, pois se assim fosse, lembrariam do caso dos desvios de recursos das Merendas em São Paulo, ou mesmo a participação de Aécio na Lista de Furnas. O alvo é o PT, é o seu governo, “criador, propagador e único partido político brasileiro que sofreu denúncias de desvio de conduta”. A indignação é seletiva e quem vai as ruas parece não está consciente disso. Estão sendo usado como massa de manobra, igualmente a 64, para promover a desestabilidade do país e também enterrar qualquer tipo de investigação sobre esquemas de corrupção.

Essa é a segunda parte da história que parecer passar despercebida. O PMDB fará sua convenção no sábado, dia 12 de março, onde provavelmente decidirá sobre a saída do governo Dilma. Aliando-se com o PSDB e DEM desejam criar uma nova força política no país, buscando a tal unidade. Mas, o que está por trás disso é apenas um desejo de livrar-se das denúncias de corrupção. Todos eles sabem que a Presidenta Dilma Roussef não irá interferir nos julgamentos do STF. Lugar que todos os líderes do PMDB estão sendo investigados. Enquanto as atenções caem sobre o PT, a Câmara de Deputados é presidida por um homem que é réu no Supremo Tribunal Federal. Um homem que é capaz de intimidar testemunhas e até falsificar assinaturas para poder livrar-se de processos.

A situação política não é simples. Ela é grave por conta das forças conservadores que desejam destruir o Projeto Popular construído ao longo dos últimos anos. Os ânimos estão acirrados, pois não seria possível aceitarmos que um governo ilegítimo assumisse o poder. As investigações precisam continuar e atingir a todos(as) que de alguma forma agiram de maneira corrupta. O golpe desse momento certamente paralisaria as investigações ou faria com que continuassem sendo apenas investigações de cunho político. E não adianta tentar negar que as investigações têm sido apenas instrumentos políticos: A Veja/Globo, Ministério Público de São Paulo, delegados da Polícia Federal do Paraná e o Juiz Moro não nos deixam enganar.

A partir de agora é necessário ocuparmos as ruas. Ocuparmos em defesa da democracia e ao mesmo tempo denunciar todos os tipos de desmandos feitos por tais paladinos da moralidade. Denunciar os crimes de manipulação cometidos pelas Organizações Globo e Veja. Nossa luta na rua não pode ser apenas em defesa do Presidente Lula ou do Governo vigente. Tem que ser uma luta pela regulamentação da mídia e por uma reforma política que venha das bases. Uma luta em defesa dos milhares de brasileiros que saíram da miséria graças aos programas sociais, programas que permitiram que eles vivessem com maior dignidade. É uma luta em defesa dos milhares de jovens que hoje ocupam as cadeiras de nossas universidades no Brasil e também em diversos países do mundo. Tem-se feito desse momento o momento do confronto, então que o façamos com dignidade, persistência e sabedoria. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Como Lutar Pela Democracia?

Nos dias que antecederiam o afastamento da Presidenta Dilma Roussef de suas funções no Governo Federal, recordo que fomos até a Avenida...