domingo, 20 de março de 2016

18 de Março, A Democracia Resiste


“Tantas vezes me mataram
Tanta vezes eu morri
Mas agora estou aqui
Ressuscitando”

Depois do dia 18 de março não poderia iniciar o meu texto com outras palavras. A poesia de Maria Elena Walsh traduz muito bem o meu sentimento depois de participar e perceber que a sociedade brasileira continua atenta às tentativas da retirada ilegal da Presidenta da República Dilma Roussef do seu posto. Não importa o número de participantes. Esse aqui não é um jogo de quem coloca mais gente na rua. É um processo de luta pela manutenção da democracia e do estado democrático de direito. E percebemos que não estamos sozinhos nessa luta.

Mais uma vez a mídia tentou diminuir a grande expressão popular da sexta-feira. Uma tentativa inútil diante das redes sociais. Os organizadores do golpe de estado davam certos a sua vitória. Agora necessitam reavaliar suas estratégias para que não coloquem a nação dentro de um caos profundo e sem precedentes. Entretanto, continuam ousados em suas ações. O Ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal simplesmente retirou a ação sobre o ex-presidente Lula das mãos do também Ministro Teori Zavascky e a devolveu ao Juiz Federal Sérgio Moro. Um ato classificado por alguns juristas de inadequado, já que o ministro não esconde suas posições políticas.

Presenciamos nas duas últimas semanas uma ação orquestrada que tinha como principal objetivo criminalizar o ex-presidente Lula e destituir a Presidenta da República, Dilma Roussef. O processo de impeachment teve o seu andamento nessa semana sob a liderança do Presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha. É de se estranhar que o Presidente para poder apressar o processo está convocando sessões nas sextas e segundas. Tudo para retirar da Presidenta da República o seu direito de defesa.

Diante desse cenário, a presença nas ruas de milhares de cidadãos brasileiros contrários ao processo nos dá uma dimensão que o caminho não será tão fácil como pensado anteriormente pela oposição. Mas, precisamos manter nossa atenção e vigilância durante essa semana. O desrespeito com a presidência da república atingiu níveis intoleráveis, como divulgar gravações sem autorização judicial.  Em qualquer democracia do mundo, os agentes responsáveis por tal ação estaria presos.


Para nós, resta-nos continuarmos a nossa luta de forma organizada, pacifica, mas ao mesmo tempo combativa. As comunidades que foram as ruas na última sexta-feira demonstraram que não aceitarão retrocessos. Os diversos movimentos de esquerda estão mais uma vez alinhados e não podemos perder a oportunidade de também exigirmos as reformas que tanto lutamos. A próxima semana será novamente palco de tensões e, para vencermos mais essa batalha, precisamos estar vigilantes. Não podemos permitir que a democracia brasileira venha cair, para que os interesses de alguns se sobreponha aos interesses de todos os brasileiros. Como afirmamos anteriormente, se gosta ou não concorda com o governo, espera as próximas eleições.  

domingo, 13 de março de 2016

Manifestações - Quem Tem Telhado De Vidro Não Atira Pedra no Telhado dos Outros


Nesse início de madrugada começamos a ter uma noção completa dos impactos das manifestações do dia 13 de março de 2016. Antes de qualquer análise se faz necessário elogiarmos a capacidade de organização dos movimentos, com a força da grande mídia, nesse dia. Penso que os resultados se tratando de números foram alcançados. Devemos continuar a celebrar as conquistas dessa nossa jovem democracia, como o direito de manifestar contra aquilo que pensa estar errado. Nesse ponto, dirijo o meu mais respeitoso enaltecimento.

Os números não me causaram surpresa. Os fatos das últimas semanas não foram coincidências, mas uma sequencia de ações muito bem planejadas para que pudéssemos chegar nesse dia 13. Até mesmo o pedido de prisão do ex-presidente Lula contribuiu para a criação de um clima festivo entre aqueles que desejam de todas as formas a prisão do mesmo, e compreendem que a corrupção no país é um ato criado e alimentado unicamente pelo Partido dos Trabalhadores. A grande mídia, Organizações Globo e Abril, deram a sua contribuição importantíssima, da qual os movimentos não teriam capacidade de arregimentar o número esperado. A manifestação cria uma pressão no governo, mas no geral, não muda muita coisa.

Não muda, porque os participantes são sempre os mesmos. Geralmente pessoas que votaram no presidenciável Aécio Neves nas últimas eleições. Representam no geral a Classe Média Alta do Brasil. São brancos, com rentabilidade financeira razoável, ocupando bairros nobres da cidade. O recorte social permanece o mesmo desde o ano passado. São Paulo sempre foi um caso emblemático. Existe uma polarização mais acentuada, mas os participantes não fogem do recorte social feito acima. A imagem de uma empregada negra, vestida de branco, cuidando do filho da patroa enquanto essa se manifesta, é uma imagem detalhada do que estou falando: as manifestações não englobam a população brasileira. Muitos brasileiros não desejam entrar na briga de nenhuma das partes. Ficarem em suas casas, chateados com a programação da televisão sendo atrapalhada, tomando uma cervejinha no bar, indo ao culto à noite ou assistindo ao maior clássico do Nordeste.

Mas, todas essas questões nos convidam a nos colocarmos atentos e vigilantes. A classe política brasileira padece por conta dos inúmeros casos de corrupção. Muitos olham a Presidenta Dilma Roussef, não como uma pessoa incapaz de governar um país, mas como uma pessoa incapaz de interferir no judiciário e mudar os rumos das investigações. A saída da presidenta é vista com bons olhos por aqueles que desejam se livrar das denuncias. E talvez a manifestação de hoje alimente o ideal desses políticos, boa parte deles filiados ao PMDB. Lembre-se que o vice-presidente estar desejoso por assumir o país. O presidente do Senado, Renan Calheiros, citado em várias delações, deseja limpar o seu nome. E correndo por fora está Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e réu em um processo de desvio de recursos. Todos ansiosos pelo poder e membros do PMDB.

Quem talvez tenha estragado tudo isso tenha sido o PSDB. Envolvido em diversos casos de corrupção, de forma hipócrita foram às ruas. O constrangimento foi inevitável: foram expulsos do próprio ato que convocaram. Se o PT não tem legitimidade para governar, os mesmo manifestantes disseram que o PSDB também não tem. Nessa semana, nenhum dos partidos poderá utilizar-se dos movimentos para se promoverem no Congresso. O ato ficou isolado, como fruto apenas dos movimentos pró-impeachment. A grande mídia tentará reverter o erro na estratégia, mas não creio no sucesso dessa empreitada. Aécio Neves e Alckim deveriam ter escutado o conselho dos mais velhos: quem tem telhado de vidro não atira pedra no telhado dos outros.

Caberá a Presidenta Dilma tomar as rédeas do processo. Nesse cenário, trazer o ex-presidente Lula para o governo pode ajudar na formação de uma coalizão que misture articulação política e planejamento econômico para sair da crise. Entretanto, é necessário desembarcar o PMDB. Se eles desejam sair é necessário que se tome a dianteira do processo, e afirme categoricamente que eles precisam escolher um lado. Quem foi as ruas nesse dia 13, mesmo que influenciados pela grande mídia, certamente estará esperando ações firmes do governo. Não podemos mais esperar, pois a situação política impede maiores esforços para a resolução dos problemas econômicos.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Brasil, O Golpe Que Bate A Nossa Porta


As duas últimas semanas dentro do mundo político foram marcadas por um conjunto de ações que nos parecem bastante alinhadas. É impossível que as investigações recentes, pedidos de prisões, operações da Polícia Federal tenham sido uma triste coincidência. As delações, mesmo sem confirmações, estamparam as páginas dos jornais. A cobertura feita pelo jornalismo, digamos de passagem, das Organizações Globo e parceiros, traze-nos a certeza que a mídia conservadora deseja o fim de um governo eleito democraticamente pelo povo.

O desejo da oposição, como também de boa parte da alta classe média brasileira, sempre foi derrubar o governo petista. Não conseguiram fazê-lo através dos instrumentos legais, por isso caminham para ilegalidade em prol da conquista dos seus objetivos. Não chegam a nos causar espantos tais atitudes. Parece que vivemos um ciclo infindável de golpes políticos no Brasil. Foi assim em 1964, está sendo assim, em 2016: a demonização das forças políticas de esquerda em prol de uma moralidade de direita, conservadora e ao mesmo tempo ignorante, pois desconhecem seus próprios princípios.

Todas as reportagens não confirmadas aconteceram a uma semana das manifestações, conhecidas como megas manifestações das elites brasileiras. A ideia é poder criar um ambiente de grande estabilidade que possa levar milhares de pessoas as ruas. O alvo não é a denúncia da corrupção, pois se assim fosse, lembrariam do caso dos desvios de recursos das Merendas em São Paulo, ou mesmo a participação de Aécio na Lista de Furnas. O alvo é o PT, é o seu governo, “criador, propagador e único partido político brasileiro que sofreu denúncias de desvio de conduta”. A indignação é seletiva e quem vai as ruas parece não está consciente disso. Estão sendo usado como massa de manobra, igualmente a 64, para promover a desestabilidade do país e também enterrar qualquer tipo de investigação sobre esquemas de corrupção.

Essa é a segunda parte da história que parecer passar despercebida. O PMDB fará sua convenção no sábado, dia 12 de março, onde provavelmente decidirá sobre a saída do governo Dilma. Aliando-se com o PSDB e DEM desejam criar uma nova força política no país, buscando a tal unidade. Mas, o que está por trás disso é apenas um desejo de livrar-se das denúncias de corrupção. Todos eles sabem que a Presidenta Dilma Roussef não irá interferir nos julgamentos do STF. Lugar que todos os líderes do PMDB estão sendo investigados. Enquanto as atenções caem sobre o PT, a Câmara de Deputados é presidida por um homem que é réu no Supremo Tribunal Federal. Um homem que é capaz de intimidar testemunhas e até falsificar assinaturas para poder livrar-se de processos.

A situação política não é simples. Ela é grave por conta das forças conservadores que desejam destruir o Projeto Popular construído ao longo dos últimos anos. Os ânimos estão acirrados, pois não seria possível aceitarmos que um governo ilegítimo assumisse o poder. As investigações precisam continuar e atingir a todos(as) que de alguma forma agiram de maneira corrupta. O golpe desse momento certamente paralisaria as investigações ou faria com que continuassem sendo apenas investigações de cunho político. E não adianta tentar negar que as investigações têm sido apenas instrumentos políticos: A Veja/Globo, Ministério Público de São Paulo, delegados da Polícia Federal do Paraná e o Juiz Moro não nos deixam enganar.

A partir de agora é necessário ocuparmos as ruas. Ocuparmos em defesa da democracia e ao mesmo tempo denunciar todos os tipos de desmandos feitos por tais paladinos da moralidade. Denunciar os crimes de manipulação cometidos pelas Organizações Globo e Veja. Nossa luta na rua não pode ser apenas em defesa do Presidente Lula ou do Governo vigente. Tem que ser uma luta pela regulamentação da mídia e por uma reforma política que venha das bases. Uma luta em defesa dos milhares de brasileiros que saíram da miséria graças aos programas sociais, programas que permitiram que eles vivessem com maior dignidade. É uma luta em defesa dos milhares de jovens que hoje ocupam as cadeiras de nossas universidades no Brasil e também em diversos países do mundo. Tem-se feito desse momento o momento do confronto, então que o façamos com dignidade, persistência e sabedoria. 

Como Lutar Pela Democracia?

Nos dias que antecederiam o afastamento da Presidenta Dilma Roussef de suas funções no Governo Federal, recordo que fomos até a Avenida...