quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Redução da Maioridade Penal, Ainda Resistimos!

Quando todas essas crises e invencionices passarem não sei se estaremos em um lugar melhor e mais seguro. Quando meus filhos crescerem e surgirem os primeiros netos, não sei se terão a segurança e todas as oportunidades para desenvolverem suas capacidades e talentos. Quando chegarmos ao futuro, imagino que as dificuldades para todos os adolescentes duplicarão, pois uma criança crescer livre de qualquer violência não será mais uma prioridade de nenhum político, como não é hoje.

Costumava falar de política com o meu avô, enquanto lia o jornal do dia para ele. Essa foi minha primeira formação política de fato. Meu avô não desejava que fôssemos desconhecedores sobre as práticas não tão honrosas de alguns representantes do povo. Para isso, nos alertava que deveríamos manter a honradez e a dignidade em qualquer circunstância. Sabedor da eficiência desse método da formação de cidadãos, prometi que também conversaria com os meus filhos sobre democracia, povo, dignidade, honra e injustiça.
Lamento que minhas conversas talvez não terão o saudosismo dos bons exemplos políticos.  Terei que relatar que vivi em uma época onde os políticos foram os grandes responsáveis pelos maiores ataques a dignidade humana. Que na calada da noite retiraram direitos de crianças e adolescentes, negociaram as suas vidas e os venderam a preço vil. Que nessa época, esses homens e mulheres, ditos representantes do povo, escolheram encarcerar adolescentes, ao invés de oferecerem educação de qualidade, moradia digna, segurança pública eficiente.

Terei que relatar que o chefe desses representantes era conhecido por desviar o recurso público por mais de 20 anos, e que mesmo acusado de corrupção, mantinha-se no poder inabalável. Que atacou não apenas os direitos de crianças e adolescentes, mas tirou do trabalhador o direito de possuir um trabalho digno, seguro e recompensador. Que odiando os pobres, tentou destruir a Saúde Pública e em nome dos poderosos transformou nossa alimentação em veneno tomado a pequenas doses diárias. Nem o direito de escolhermos o que comer permaneceu intocável.
Tomara que consigamos reverter essas situações. Não desejo que a próxima geração seja tomada por um pessimismo desmedido, mas facilmente explicável. Quero poder dizer aos meus filhos quando eles me perguntarem o que fizemos: “Nós resistimos, fomos às ruas, lutamos e vencemos”. 

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