quinta-feira, 2 de julho de 2015

Venderam Meninos e Meninas Como Escravos e Gastaram o Dinheiro com Prostitutas e Com Vinho


As suas autoridades são pessoas revoltadas e têm amizades com ladrões. Estão sempre aceitando dinheiro e presentes para torcer a justiça. Não defendem os direitos dos órfãos e não se preocupam com as causas das viúvas (Isaías 1.23).

Escolhi começar esse texto com as palavras do profeta Isaías. Talvez sejam elas que mais podem exemplificar o momento que vivemos atualmente. Creio que como cristão não podemos nos furtar da nossa tarefa de refletir o mundo que vivemos atualmente.  E nossa reflexão precisa estar alinhada com a fé que os profetas, apóstolos, discípulos e o próprio Jesus Cristo vivenciaram. Se não fizermos dessa forma, corremos o risco de cairmos no fanatismo religioso e na defesa irracional de temas que geram violência e morte. O mais grave é que podemos nos tornar canais desses maus.

Nessa madrugada, de maneira ilegal, foi aprovada na Câmara dos Deputados a Redução da Maioridade Penal de 18 para 16 anos de idade. A medida gerou surpresas para aqueles que estão acostumados aos ritos da vida política no Congresso. A constituição, regimentos internos e demais mecanismos foram esquecidos para que se prevalecesse à voz de um senhor. A voz desse senhor foi acompanhado pela bancada dos chamados evangélicos. Os discursos de ódio foram inflamados. Não se apresentaram soluções para a morte de milhares de jovens no Brasil, a não ser a construção de mais prisões. É determinar a morte para aqueles que já estão morrendo.

Diante desses fatos, lamentamos que boa parte dos evangélicos brasileiros caminhem em desacordo com as escrituras. Se olharmos para aqueles deputados que dizem defenderem a família brasileira e a fé cristã, veremos que muitos já respondem por algum crime político. É nesse momento que percebemos que nossas supostas autoridades são revoltadas e têm amizades com ladrões. Vários deles ganham milhares de reais em suas igrejas e programas, levando a triste ilusão de prosperidade para o povo pobre brasileiro. Agora, além dessa faceta criminosa da fé, resolvem atacar o direito dos órfãos e das viúvas.

Os órfãos e as viúvas constituíam a classe mais vulnerável do tempo dos profetas. Eles precisavam ter os seus direitos garantidos para que não sofressem a exploração dos mais abastados. Sempre que os direitos dos órfãos e das viúvas eram desrespeitados, a Palavra de Deus advertia ao povo de Israel a se arrepender dos seus pecados. Atualmente, temos nossos órfãos e viúvas. As pessoas mais propensas a violência e a morte são nossos jovens negros e pobres. Ninguém no Brasil tem tanta chance de ser assassinado antes dos 20 anos como eles. E ontem, nossos deputados, em sua maioria, cristãos, aceitaram presentes para distorcerem a justiça. Não defenderam o direito dos pobres e certamente as palavras de Amós caberiam aqui: “vocês maltratam as pessoas honestas, aceitam dinheiro para torcer a justiça e não respeitam os direitos dos pobres” (Amós 5.12).

Se a justiça fosse analisada nesse caso as perguntas seriam por que tantos jovens negros e pobres morrem? Por que os direitos das crianças e adolescentes não estão respeitados nesse país? Por que continuamos ter uma educação falha? Por que os governos não cumprem as leis referentes aos nossos filhos e filhas? A resposta é que nos distanciamos de Jesus Cristo. Somos mais parecidos com os fariseus que desejam apedrejar a mulher pega em adultério do que com aquele que disse: “Eu também não te condeno”. Não defendemos com unhas e dentes nossas crianças e adolescentes, porque esses não geram rendas para nossas igrejas.

O que aconteceu ontem no Congresso Brasileiro pode ser definido nas palavras de Joel: “Tiraram a sorte para ver quem ficava com os prisioneiros do meu povo; venderam meninos e meninas como escravos e gastaram o dinheiro com prostitutas e com vinho”. (Joel 3.3). Triste notícia para nós! 

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