sábado, 11 de julho de 2015

Reinaldo Azevedo Não Se Sente Representado Por Francisco. Graças a Deus!


Não leio a Revista Veja. O que é colocado nessa revista nunca me interessou. Seus repórteres não detêm de confiabilidade para com a sociedade e sua informação jornalística é sempre muito tendenciosa. Além dos seus repórteres, existem aqueles donos da verdade, como por exemplo, seus articulistas, que proferem mentiras e tentam formar na sociedade um estado de caos. Para mim, a verdade é algo primordial em qualquer meio de comunicação. Se o jornal agiu de maneira desrespeitosa, simplesmente não leio mais, pode ser de esquerda, direita, centro, de cima ou de baixo.

Nessa tarde fui surpreendido por um artigo dessa Revista. Com o título Bergoglio, o dito Papa Francisco, Não Me Representa, Reinaldo Azevedo me encheu de alegrias. Fiquei aliviado em saber que o Papa Francisco não representa um império construído na base de mentiras e opressão do povo brasileiro. Estou aliviado em saber que o Papa Francisco não representa o Reinaldo Azevedo, pois como poderia representar alguém que mente de forma contínua e oportunista. Ainda bem que o Papa Francisco não representa alguém que é contrário às lutas dos negros, pobres, gays e lésbicas desse país. Que acusa de vagabundo quem recebe o Bolsa Família, que menospreza um região do país, sentindo-se superior. Certamente, O Papa Francisco não representa um ser humano que deseja colocar adolescentes na cadeia e é a favor do linchamento de suspeitos em praça pública. 

Usando uma expressão evangelística, espero que o Reinaldo Azevedo conheça o poder salvador do perdão encontrado em Jesus Cristo e a sua força profética de denúncia do mal. Somente dessa maneira poderá compreender as ações de Francisco. Se não, corre o risco de permanecer como alguém que frustrado em suas próprias teorias, tenta de todas as maneiras culpabilizar outros por suas fraquezas e medos. Afinal, arrogância é apenas  demonstração de covardia.

Sobre os regimes que sob a égide de uma teoria comunista mataram mais de 120 milhões de pessoas, percebe-se o despreparo e o desconhecimento do articulista sobre essa causa. Certamente ele faltou às aulas de introdução a filosofia e história moderna. Se tivesse assistido as essas aulas ou se preocupado em ler um pouco, saberia que antes da Primeira Guerra Mundial, Rosa Luxemburgo e demais marxistas eram contrários a qualquer tipo de guerra e tentaram evitá-la ao máximo, pois a idéia básica era promover a solidariedade internacional entre as classes operárias ante os nacionalistas militares. Rosa e os políticos do partido Socialista Alemão foram às únicas vozes oposicionistas no Império Alemão contra a catástrofe humana que foi a Primeira Guerra Mundial. Seu antimilitarismo não foi tolerado pelo partido, que os expulsam.

Sobre a Rússia, o programa da Revolução, construído por Lenin, consistia no fim imediato da guerra, reforma agrária e todo poder aos soviets (trabalhadores).  Isso significava abolir o exército, a polícia e a burocracia, estabelecendo a igualdade salarial entre um operário e um funcionário público, a fim de abolir a hierarquia entre estado e sociedade, instaurando relações políticas horizontais entre os trabalhadores. Depois da morte de Lenin, Stalin supera Trótsky (que mantinha idéias parecidas com as de Lenin) na liderança do partido. Stalin não tinha o mesmo comprometimento com a classe operária e a realização da liberdade em um plano internacional, iniciando em 1928 um expurgo de todas as lideranças bolcheviques originais, por meio de expulsões, exílios, prisões e assassinatos. O programa levado a cabo por Stálin nada tem a ver com o programa comunista de Lenin. Essa é parte da historia que o Reinaldo esqueceu de dizer.

Fiz essas duas observações históricas antigas para mostrar que o articulista ou desconhece de história ou simplesmente está usando de má fé quando se refere ao comunismo e ao papa Francisco. Enfim, se o Reinaldo Azevedo não se sente representado por Francisco só temos algo a dizer: Graças a Deus.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Venderam Meninos e Meninas Como Escravos e Gastaram o Dinheiro com Prostitutas e Com Vinho


As suas autoridades são pessoas revoltadas e têm amizades com ladrões. Estão sempre aceitando dinheiro e presentes para torcer a justiça. Não defendem os direitos dos órfãos e não se preocupam com as causas das viúvas (Isaías 1.23).

Escolhi começar esse texto com as palavras do profeta Isaías. Talvez sejam elas que mais podem exemplificar o momento que vivemos atualmente. Creio que como cristão não podemos nos furtar da nossa tarefa de refletir o mundo que vivemos atualmente.  E nossa reflexão precisa estar alinhada com a fé que os profetas, apóstolos, discípulos e o próprio Jesus Cristo vivenciaram. Se não fizermos dessa forma, corremos o risco de cairmos no fanatismo religioso e na defesa irracional de temas que geram violência e morte. O mais grave é que podemos nos tornar canais desses maus.

Nessa madrugada, de maneira ilegal, foi aprovada na Câmara dos Deputados a Redução da Maioridade Penal de 18 para 16 anos de idade. A medida gerou surpresas para aqueles que estão acostumados aos ritos da vida política no Congresso. A constituição, regimentos internos e demais mecanismos foram esquecidos para que se prevalecesse à voz de um senhor. A voz desse senhor foi acompanhado pela bancada dos chamados evangélicos. Os discursos de ódio foram inflamados. Não se apresentaram soluções para a morte de milhares de jovens no Brasil, a não ser a construção de mais prisões. É determinar a morte para aqueles que já estão morrendo.

Diante desses fatos, lamentamos que boa parte dos evangélicos brasileiros caminhem em desacordo com as escrituras. Se olharmos para aqueles deputados que dizem defenderem a família brasileira e a fé cristã, veremos que muitos já respondem por algum crime político. É nesse momento que percebemos que nossas supostas autoridades são revoltadas e têm amizades com ladrões. Vários deles ganham milhares de reais em suas igrejas e programas, levando a triste ilusão de prosperidade para o povo pobre brasileiro. Agora, além dessa faceta criminosa da fé, resolvem atacar o direito dos órfãos e das viúvas.

Os órfãos e as viúvas constituíam a classe mais vulnerável do tempo dos profetas. Eles precisavam ter os seus direitos garantidos para que não sofressem a exploração dos mais abastados. Sempre que os direitos dos órfãos e das viúvas eram desrespeitados, a Palavra de Deus advertia ao povo de Israel a se arrepender dos seus pecados. Atualmente, temos nossos órfãos e viúvas. As pessoas mais propensas a violência e a morte são nossos jovens negros e pobres. Ninguém no Brasil tem tanta chance de ser assassinado antes dos 20 anos como eles. E ontem, nossos deputados, em sua maioria, cristãos, aceitaram presentes para distorcerem a justiça. Não defenderam o direito dos pobres e certamente as palavras de Amós caberiam aqui: “vocês maltratam as pessoas honestas, aceitam dinheiro para torcer a justiça e não respeitam os direitos dos pobres” (Amós 5.12).

Se a justiça fosse analisada nesse caso as perguntas seriam por que tantos jovens negros e pobres morrem? Por que os direitos das crianças e adolescentes não estão respeitados nesse país? Por que continuamos ter uma educação falha? Por que os governos não cumprem as leis referentes aos nossos filhos e filhas? A resposta é que nos distanciamos de Jesus Cristo. Somos mais parecidos com os fariseus que desejam apedrejar a mulher pega em adultério do que com aquele que disse: “Eu também não te condeno”. Não defendemos com unhas e dentes nossas crianças e adolescentes, porque esses não geram rendas para nossas igrejas.

O que aconteceu ontem no Congresso Brasileiro pode ser definido nas palavras de Joel: “Tiraram a sorte para ver quem ficava com os prisioneiros do meu povo; venderam meninos e meninas como escravos e gastaram o dinheiro com prostitutas e com vinho”. (Joel 3.3). Triste notícia para nós! 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Redução da Maioridade Penal Um Pauta Sem Reflexão


O assunto da Redução da Maioridade Penal tem sido destaque em todas as mídias sociais e jornais. Ontem presenciamos a primeira batalha dentro do plenário da Câmara que tentava reduzir a maioridade penal para crimes hediondos. Discursos inflamados foram proferidos, principalmente daqueles que defendem a redução, contra outros que de todas as maneiras buscavam demonstrar que essa não é a solução para os problemas da violência do país. Para nossa felicidade os direitos de crianças e adolescentes foram mantidos. Mas, precisamos estar atentos para os próximos movimentos que buscarão retirá-los.

Nesse contexto percebemos uma grande desinformação sobre o Estatuto da Criança e Adolescente e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Creio que uma maior pesquisa na internet esses fatos seriam facilmente esclarecidos. Mas, estamos sofrendo de um mal bastante interessante, não sei se advindo da sociedade atual e sua midiatização ou fruto de um processo de educação falho, que não permite que as pessoas leiam, reflitam e opinem sobre os casos. Não adiante demonstrar estatísticas, estudos de casos ou outros modelos metodológicos que ajudariam na reflexão se a pessoa está condicionada a não refletir a época em que vive e o tecido histórico da formação do nosso povo.

O mais assustador é encontrar representates do povo (deputados) que também não exercem a reflexão crítica sobre os fatos atuais da sociedade. Parece que tomados por um sentimento de vigança, ou de interesses abstrusos, mergulham em falsa defesa do pobre, das vítimas de violência e trazem a ilusão que os problemas do país se resolverão com mais prisões. Colocam em risco a economia de um país, pois não explica de onde virá dinheiro para a construção de mais presídios, como também alimentam um estado de violência futura sem precedentes. Alguém preso aos 16 anos não ficará o resto da vida preso, quando sair de nossos presídios teremos um profissional do crime. A todos esses fatos soma-se a certeza que milhares de adolescentes serão usados pelo mercado assustador da exploração sexual e deixarão de ser atendidos pelos programas de proteção integral da criança e do adolescente.

Todos nós estamos cientes que os investimentos necessários no ECA nunca foram feitos. Milhares de cidades não têm números suficientes de conselhos tutelares e nem mesmo estrutura adequada para o funcionamento dos mesmos. Os atuais abrigos para a ressocialização estão lotados e constantemente recebemos denúncias de maus-tratos e tortura. Não conseguimos monitorar adequadamente se uma criança ou adolescente teve algum dos seus direitos desrespeitados. Mesmo assim, nossos legisladores ao invés de monitorarem essa situação, escolhem punir adolescentes para justificar a incapacidade dos legislativo brasileiro em cumprir sua função de guardião dos direitos do povo brasileiro, em especial das crianças, adolescentes e jovens.  

Por isso, necessitamos nos manter vigilantes e informar a sociedade brasileira que redução não é solução para a violência, mas sim um fator motivador para o aumento da mesma nos próximos anos.


Como Lutar Pela Democracia?

Nos dias que antecederiam o afastamento da Presidenta Dilma Roussef de suas funções no Governo Federal, recordo que fomos até a Avenida...