segunda-feira, 16 de março de 2015

Sobre Abutres e Cigarras


Os abutres são animais interessantes. Quando eles percebem o cadáver caído ao chão, se reúnem em grupo e começam uma guerra sangrenta pelo alimento. A agressividade é determinada pelo o grau de fome de cada animal. Quanto mais faminto, mais agressivo ele se torna. Eles não se entendem entre si, e os mais fortes acabam dominando os mais fracos. No final, estabelecida à dominação e possessão da presa, juntos desfrutam alegremente os restos mortais do ex-vivente. Os abutres não atacam presas que ainda parecem estar vivas. Eles esperam que outros façam o trabalham sujo por eles.
Os abutres estão presentes na política brasileira. Eles estão nas sacadas das janelas dos seus apartamentos luxuosos. Não interferem diretamente no ataque à presa, preferem se esconder. São “éticos” o bastante e mesmo que tenham contribuído no assassinato da presa, dirão que foi apenas as circunstâncias do tempo. Os abutres da política brasileira são capazes de caminhar pelo fim da corrupção, mesmo que tenham sido processados por serem os maiores propineiros do país. Os abutres são cínicos, pois desviam recursos para alimentar os seus egos e fazem outros acreditarem em suas almas honestas. A fórmula é fácil, diga uma mentira várias vezes e outros acabarão acreditando que é verdade. O mais constrangedor é que tem pessoas que se alegram em caminhar lado a lado dos abutres, não sabendo que cavam suas próprias covas.
Entretanto, há uma coisa que os abutres da política brasileira não enxergam bem: as presas que eles imaginam estarem mortas, na verdade têm uma grande capacidade de ressureição. Como latinos americanos somos como cigarras, como bem lembrou a María Elena Walsh, na canção eternizada na voz de Mercedes Sosa: “Tantas vezes me mataram, tantas vezes eu morri, no entanto, eu estou aqui, ressuscitando. Agradeço à desgraça e à mão com punhal, porque me matou tão mal e continuei cantando”.

Diante do visto nos últimos dias, celebração pela democracia construída, mas olhares atentos aos abutres de plantão. O recado está sendo dado: “Este povo não se afoga com marés” (Este pueblo no se ahoga com marullo).

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