quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O Assassinato Do Pr. Darckson Lira e as Posições Evangélicas de Ódio


Lamento o assassinato do Pr. Darckson Lira, fruto da violência constante em nossa sociedade. Oro a Deus para que derrame o consolo necessário sobre os seus familiares e amigos. Afirmo, acima de tudo, que ninguém tem o direito de retirar a vida de alguém, seja em quais condições forem.

Também lamento a posição compartilhada por diversas pessoas, trazendo críticas aos direitos humanos, baseando-se em ideias infundadas e em um desejo de vingança terrível. Não farei comentários sobre as investigações que estão sendo conduzidas pela polícia e que apurarão os fatos com a devida clareza. Entretanto, creio que aqueles que fazem parte dessas instituições religiosas devem procurar serem mais verdadeiros e sérios em suas posições. 

Buscar de todas as maneiras ofender aqueles que trabalham diariamente pela causa da justiça e em busca da dignidade do ser humano não é solução para os problemas da violência em nossa cidade. Os grupos de direitos humanos têm a cada dia denunciado a violência constante e o desrespeito a qualquer pessoa, principalmente aqueles que estão em maior vulnerabilidade social. Se posicionado firmemente para que todos tenham direito de expressar sua opinião, exercer sua fé com liberdade, rompendo as barreiras do racismo e da intolerância. Erra quem acha que os direitos humanos é algo destinado a defender criminosos. Provando seu desconhecimento do tema e o seu descompromisso com a paz.

Também, é extremamente vergonhoso que homens e mulheres que se dizem pastores ou mesmos cristãos, se enveredem pelo caminho da crítica infundada a um dos temas mais constantes nos evangelhos de Jesus Cristo: A dignidade do ser humano. É extremamente incoerente que pessoas desse tipo falem da Boa Notícia, quando as suas línguas estão cheias de mentira e ódio. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Reflexões Para o Tempo da Quaresma: Quão Miserável Que Sou!


Quão miserável que sou. Os meus pecados estão sempre diante de mim. Tenho sido mau desde o dia em que nasci. Até mesmo os meus atos religiosos não trazem toda a verdade que deveriam trazer. São tão vazios se comparados ao teu grande amor por mim.

Eu sei que tu buscas um coração sincero. Então vem Santo Espírito e cria em mim um coração puro, capaz de ouvir os sons de alegria e de felicidade, mesmo em meio a angústia e o temor da morte. Não me retires de tua presença.

Senhor, quando me chamaste pelo nome, eu pensava que te serviria melhor em meus rituais. Preparava minhas canções, ia ao teu templo, obedecia as tuas leis, condenava os pecadores, orgulhava-me de minhas orações em público e de minha inteligência teológica. Menospreza os pequenos e fracos de tua igreja.

Então descobri que não desejavas que eu rasgasse as minhas vestes, pois o que te alegrava era um coração quebrantado. Coração que luta para libertar aqueles foram presos injustamente, fazendo cessar o sofrimento. Que põem em liberdade aqueles que estão sendo oprimidos.  Coração que não se conforma com a escravidão, que reparte o pouco que tem em sua casa com a casa dos mais pobres. Que veste aqueles que estão nus.

Coração que se quebranta diante da morte de cada jovem negro de meu país. Que se despedaça com cada criança que tem o seu corpo violentado. Que não compreende como homens podem matar outros por simplesmente não concordarem com a sua forma de viver em família.

Perdão, Senhor! Tantas vezes sou um servo inútil na construção do teu reino, não sendo digno da graça que recebi. Ensina-me Senhor ser um servo teu por meio da pureza, conhecimento, paciência e delicadeza, mostrando aos outros o amor verdadeiro que nos resgatou.


(Reflexões Para o Tempo da Quaresma, leituras da Quarta-feira de Cinzas: Joel 2, Salmo 51, Isaias 58, II Co 5.20 a 6.10).

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

E Sua Fama Espalhou-se Depressa (Marcos 1.21-28)


As pessoas ficavam admiradas com a maneira como Jesus ensinava. Ele tinha autoridade em suas palavras. Elas partiam do seu coração e as pessoas podiam confiar. O povo não se sentia enganado, pois elas iam ao íntimo do ser humano, visitando a escuridão da alma, esclarecendo dúvidas, desafiando a angústia e o medo. Acostumadas a ouvir os fariseus e escribas com suas mentiras e a maneira desleal como os exploravam, agora o povo encontrava em Jesus confiabilidade, segurança e acolhimento. Por isso o seu ensinamento causa tanta admiração.

Então sua fama espalhou-se por toda a região. Coisas boas eram ditas acerca de Jesus e mesmo aqueles que discordavam de suas palavras não tinha como não reconhecer que se tratava de um grande profeta. As forças do mal eram submissas a Ele. Aqueles que  o seguiam depois de sua morte sabiam disso e cantavam: “Por isso Deus deu a Jesus a mais alta honra e pôs nele o nome que é o nome mais importante de todos os nomes, para que, em homenagem a Jesus, todas as criaturas no céu, na terra e no mundo dos mortos, caiam de joelhos e declarem abertamente que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”.

Aquela fama espalhava-se não somente pelas curas que ele realizava. Os seus ensinamentos de um novo Reino que se instalara eram desafiadores. No novo reino os pobres são bem-aventurados, aqueles que choram serão consolados, os que têm sede e fome de justiça serão saciados. O grande Criador o tinha enviado para pregar uma boa notícia aos cativos, cegos e oprimidos. Como não se encantar e se admirar diante de tanta justiça e amor?

Como seus discípulos só nos cabe seguir o seu exemplo de amor, perseverança e justiça. Sua fama precisa espalha-se novamente. Não como esse Cristo medido pelo valor econômico e preocupado com seus bens materiais. Não como esse Jesus extremamente legalista, rancoroso e vingativo que os radicais da religião anunciam. Mas, como o Cristo da boa notícia que constrói o novo onde o velho causava a dor e a opressão. O Cristo que faz do humano o ser extremamente humano. 

(Régis Pereira, Fortaleza 13/02/2015, 21:40hs)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Sobre Heróis e Bandidos


Não me arriscaria a dizer que nunca antes na história desse país ouvimos falar tanto em corrupção. Os tempos mudam, os meios de comunicação se modernizam e a informação chega com maior rapidez até os lugares mais longínquos desse país. A corrupção, como um mal sistêmico está presente em diversos setores da sociedade, e pode ser usada para criar bandidos e enaltecer heróis, mesmo que os heróis de agora sejam os bandidos de outrora.
A nossa grande imprensa deixa o seu papel de informar e deseja formar a população sobre determinadas questões. Um exemplo claro são as “opiniões”, editorais de alguns jornais que trazem claramente suas posições políticas baseadas não na informação, mas sim na manipulação de fatos, visando atingir determinados setores políticos da sociedade. Com isso, ela cria seus bandidos e os seus heróis.

Parecendo uma boa ideia, um companheiro das lutas pelo o povo, a grande imprensa pratica seus atos de bondade, escondendo a maldade por trás deles. Para esses eu faço aquela oração da canção de Chico César: “Deus me proteja de mim e da maldade de gente boa. Da bondade da pessoa ruim”.

Na modernização da comunicação, também temos o privilégio de vivermos em uma sociedade de livre acesso a internet, que podemos usar como canal de reivindicação e luta, sem preocupar-nos com repressão. Nunca tivemos tanto acesso a informação, mas nunca desconhecemos tanto sobre nossa sociedade. As informações são visualizadas, entretanto sem reflexão aprofundada sobre os fatos sociais que as compõe. Somos a sociedade fast-food, do jogo rápido, do pouco comprometimento e envolvimento.

Esses fatos levam-nos a cair nas armadilhas de pessoas desonestas. Que em nome do poder e da perpetuação da injustiça e opressão, canaliza suas forças para desestabilizar a construção de uma sociedade democrática. Vejo claramente nos últimos dias um povo que clama por justiça em diversas áreas sendo manipulado por uma imprensa tendenciosa e opiniosa. Percebo nas redes sociais pessoas discutirem governabilidade e as competências dos entes federados com totalmente desconhecimento sobre esses fatos, baseados apenas em suposições sem fundamentos concretos.

Creio que a corrupção no Brasil é um mal que precisa ser extirpado. Ninguém deve defender corrupto. É vergonhoso para qualquer cidadão que se preze. Mas, ninguém também deve generalizar achando que determinado setor da sociedade é totalmente corrupto. A generalização é filha da manipulação. Generaliza-se para poder melhor manipular. Manipulam-se aqueles que não se preocupam em contextualizar a informação. Sem contextualizar, solicitamos impeachments, conceituamos quadrilhas, criamos bandidos, menosprezamos nosso próprio país. Em contra ponto, outros, parecendo heróis, de maneira oportunista começam trilhar seus caminhos para continuar a estabelecer e ampliar suas máquinas de opressão e morte.


No século XV começaram as invasões dos espanhóis e portugueses as nossas terras. Eles nos agradaram com presentes. Eram como deuses e irmãos. Nós acreditamos. E então se deu o processo de genocídio, escravidão e roubo das riquezas das Américas. Na década de 60, a sociedade brasileira acreditou que se transformaria numa ditadura comunista. Os heróis apareceram e disseram que salvariam o Brasil e as suas famílias desse grande mal. Então, vivemos a maior e mais dura ditadura de nossa história. Os heróis não gostavam que serem questionados.  Agora os heróis estão aparecendo de novo, dizendo que não existe ninguém tão ético, honesto e puro como eles... tudo isso, porque os heróis não se conformam com maiorias e derrotas. Vamos deixar a história se repetir?

(Régis Pereira, Fortaleza 11 de fevereiro de 2015 as 02:05hs)

Como Lutar Pela Democracia?

Nos dias que antecederiam o afastamento da Presidenta Dilma Roussef de suas funções no Governo Federal, recordo que fomos até a Avenida...