quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Uma Voz Se Ouviu em Belém


“Uma voz se ouviu em Belém, o gemido de muito choro amargo. Ana chorando os seus filhos, recusando ser consolada quanto os seus filhos, porque eles não mais existem”. (adaptação Jeremias 22.15).

Estamos perplexos diante das notícias que nos chegam de Belém. Onde a violência ceifou durante uma noite a vida de adolescentes e jovens. Onde a fúria por vingança, o desejo pela morte, mais uma vez feriu a vida daqueles que sempre sobreviveram à margem de nossa sociedade, presos a um triste ciclo vicioso de negação de uma vida com dignidade.

O choro das mães de Belém chega-nos perturbador em nossos corações, e com força arrasadora nos envolve com um misto de sentimentos de dor e impotência. E mais uma vez igualmente a elas, nos recusamos a sermos consolados, pois nos recusamos a acreditar que a morte é o único caminho para nossas juventudes negras, empobrecidas e violentadas.

O mais perturbador é que a violência vem daqueles que deveriam promover e proteger as vidas. Não podemos aceitar que algumas pessoas determinem que outros podem ou não viver. É inadmissível aceitar a violência como resposta a outras violências vividas que foram geradas graças a um sistema opressor que beneficia aquele tem mais poder e recursos econômicos.

Como seguidores do evangelho, a nossa voz tem que ser ativa e profética: “Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores, para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos”. (Isaías 10,1-2). Em nosso meio, não apenas em Belém, mas também em Fortaleza, Rio de Janeiro, Salvador e tantas outras regiões, não roubam apenas bens materiais de nossos órfãos, roubam na verdade suas próprias vidas.

Enquanto choramos com as mães de Belém, temos que lutar pela aprovação de leis mais justas. Decretar o fim dos Autos de Resistência, pois só servem para matar jovem negro e pobre da periferia, negando-lhe os seus direitos básicos de justiça. Desmilitarizar a Polícia, tornando-a uma instituição mais próxima dos cidadãos e não apenas um órgão de repressão do estado. Desmilitarizar a polícia é também oferecer dignidade para quem faz parte dessa instituição, pois aqueles que trabalham com sentimento de humanidade e solidariedade poderão exercer suas funções com maior honradez.

Somos convidados a exercer essa tarefa em nome da justiça e do amor. A não se conformar com essas situações. Não ser complacentes com a morte e a violência. A chorar com essas mães e buscar os meios para que essa triste realidade não se repita. É nosso dever, é nossa missão!


A luta Continua...

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