sábado, 13 de setembro de 2014

Uma Pedagogia Para Saírmos da Apatia?


Vivemos nesses temos uma verdadeira crise de representação. Essa crise não perpassa apenas os modelos políticos partidários, mas também está imbuída em nossos movimentos sociais. Não é difícil encontrar pessoas que estão desiludidas com o trabalho comunitário na base ou mesmo financiadores que não mais acreditam que instituições possam promover as transformações sociais necessárias em determinadas regiões.

Dentro desse contexto uma apatia generalizada invade nossa sociedade. É a descrença que algo realmente possa vir acontecer e acabar com as injustiças existentes e propor um novo modelo de vivência. Levando em consideração esses pontos uma questão nos parece fundamental: O que mantém certos movimentos atuantes e cheios de credibilidade perante a sociedade?

Para responder essa questão precisei recorrer à vivência de minha fé, certo que ainda não tenho todas as respostas e talvez nunca as encontre. Para mim, Jesus Cristo é um paradigma de atuação social exemplar. Não somente pelas palavras ditas por Ele, mas pela vivência prática daquilo que Ele acreditava. Independente do seu pensamento sobre Jesus é indiscutível a sua presença em nossa sociedade na força de suas ideias.

No mundo teológico costumamos usar a expressão que Jesus encarnou a sua missão. Ele usa uma nova pedagogia que faz o povo crescer, segundo palavras do Frei Carlos Mesters: “Ele tem um novo jeito de se relacionar com as pessoas e de ensinar as coisas: Dá atenção às pessoas sem fazer distinção (Mt 22,16); ensina em qualquer lugar, acolhe a todos como ouvintes e permite que mulheres o sigam como discípulas (Lc 8,1-3; Mc 15,41); usa linguagem simples em forma de parábolas; reflete a partir dos fatos da vida (Lc 21,1-4; 13,1-5; Mt 6,26); confronta os discípulos com os problemas do povo (Mc 6,37); ensina com autoridade sem citar “autoridades” (Mc 1,22); apresenta crianças como professores de adultos (Mt 18,3); sendo livre, comunica liberdade aos que cercam (Jo 8,32-36), e estes, por sua vez, criam coragem para transgredir tradições caducas (Mt 12,1-8). Jesus vive o que ensina; passa noites em oração (Lc 5,16; 6,12; 9,18.28; 22,41) e suscita nos outros a vontade de rezar (Lc 11,1).

 Viver aquilo que se acredita é a base fundamental de qualquer ideia ou movimento. O que percebemos hoje um dia é um distanciamento do discurso e da prática. Discursos podem animar por instante, mas a prática ficará presente para sempre na memória daqueles que a vivenciaram. Não posso falar de comunidade se não sou comunidade, pois é a partir das nossas próprias dores e alegrias que tecemos o futuro que desejamos. Para nos mantermos como movimentos sociais atuantes e imbuídos de credibilidade perante a sociedade precisamos refazer o caminho sugerido por Jesus nos textos acima citados.


Poderíamos escrever sobre cada observação feita pelo Carlos Mesters sobre a pedagogia de Jesus e assim sistematizar um modelo de atuação que pudesse nos tirar dessa apatia. Entretanto, seriam as minhas observações a partir dos movimentos da qual faço parte. Por isso, convido-os a realizarem uma reflexão a partir de nossa indagação inicial (O que mantém certos movimentos atuantes e cheios de credibilidade perante a sociedade?), relacionando com o texto de Mesters e a prática de Jesus. Que essas reflexões animem seus corações!

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