domingo, 28 de setembro de 2014

Se eu tiver filhos gays: Quatro promessas de um pastor cristão e pai

Há um bom tempo buscava escrever uma opinião sobre essa pergunta. Encontrei esses dias no site abaixo e resolvi publicá-la. Uma opinião coerente de um pai amoroso.
O texto é do Pr. John Pavlovitz, da Carolina do Norte, que fez quatro promessas a seus filhos caso um dia eles "saiam do armário".
"Às vezes eu penso se terei filhos gays.
Eu não sei se outros pais pensam sobre isso. Mas eu penso. Muito frequentemente.
Talvez seja porque eu tenha muitos gays na minha família e círculo de amigos. Está em meus genes e em minha tribo.
Talvez seja porque, como pastor de estudantes, eu tenha visto e ouvido as histórias de horror de crianças cristãs e gays, dentro e fora do armário, tentando fazer parte da igreja.
Talvez porque, como cristão, eu interaja com tantas pessoas que acham a homossexualidade a coisa mais repulsiva de se imaginar e que fazem questão de deixar isso abundantemente claro a cada oportunidade.
Qualquer que seja a razão, eu penso nisso frequentemente. Como pastor e como pai eu quero fazer algumas promessas a você e aos meus dois filhos.
1) Se eu tiver filhos gays, todos vocês saberão disso.
Minhas crianças não serão nosso mais bem guardado segredo familiar.
Eu não vou desconversar com estranhos. Eu não vou falar em linguagem vaga. Eu não tentarei colocar um venda nos olhos de todos e eu não pouparei as emoções dos mais velhos, ou dos que se ofendem facilmente ou dos desconfortáveis. A infância já é difícil o suficiente e a maioria dos gays passam sua existência se sentindo horríveis, excruciantemente desconfortáveis. Eu não colocarei os meus filhos em mais desconforto desnecessário só para fazer o jantar de Ação de Graças mais fácil para um primo de terceiro grau rancoroso.
Se meus filhos saírem do armário, sairemos do armário como família.
Pastor John Pavlovitz
Pastor John Pavlovitz
2) Se eu tiver filhos gays, eu orarei por eles.
Eu não orarei para que eles sejam “normais”. Já vivi o suficiente para saber que, se meus filhos forem gays, este é o normal deles.
Eu não orarei para Deus curá-los ou consertá-los. Vou orar para que Deus os proteja da ignorância, do ódio e da violência que o mundo despejará sobre eles simplesmente por eles serem quem são. Vou orar para que Deus lhes coloque um escudo de proteção contra aqueles que os desprezam e querem machucá-los, que os amaldiçoam ao inferno e que os colocam como condenados sem nem mesmo conhecê-los. Eu orarei para que eles apreciem a vida, o sonho, que sintam, que perdoem e amem a Deus e a humanidade.
Acima de tudo, orarei para que meus filhos não recebam o tratamento nada cristão de suas ovelhas mal guiadas a ponto de afastá-los de seus caminhos.
3) Se eu tiver filhos gays, eu os amarei.
Não estou falando de um amor distante, tolerante e cheio de reservas. Será um amor extravagante, de coração aberto, sem desculpas. Aquele tipo de amor que constrange na porta da escola.
Eu não vou amá-los apesar de sua sexualidade nem vou amá-los por causa dela. Vou amá-los simplesmente por serem quem eles são: doces, engraçados, carinhosos, inteligentes, legais, teimosos, originais, lindos e… meus.
Se meus filhos forem gays, eles poderão ter milhões e milhões de dúvidas sobre si mesmos, sobre o mundo, mas nunca terão um segundo de dúvida sobre o amor que o pai deles sente por eles.
4) Se eu tiver filhos gays, basicamente, terei filhos gays
Se meus filhos forem gays – e eles já são bem gays… [gay em inglês significa, antes de tudo, alegre] Bem, isso quer dizer que Deus já os criou e os moldou e colocou neles a semente de quem eles são dentro deles. O Salmo 139 diz que Ele “os costurou no útero de sua mãe”. Para mim isso quer dizer que as incríveis e intricadas coisas que os fazem almas únicas na história foi colocado em suas células.
Por isso, não há um “deadline” para a sexualidade deles pela qual eu e sua mãe estejamos orando fervorosamente. Eu não acredito que haja alguma data de expiração mágica se aproximando quando eles “se tornarão héteros”.
O que há hoje é uma simples e jovem versão de quem eles serão; e hoje eles são incríveis.
Muitos de vocês podem se ofender com tudo isso. Eu percebo totalmente. Eu sei que isso deve ser especialmente verdade se você é uma pessoa religiosa, que acha esse tópico totalmente nojento.
Conforme vocês foram lendo isso, podem ter revirado os olhos ou selecionado trechos das escrituras para enviar ou orado para que eu me arrependa ou se preparado para deixarem de ser meus amigos ou me chamado de pecador, mau, herege condenado ao inferno… Mas da forma mais gentil e compreensiva que eu possa ser, digo uma coisa: não dou a mínima.
Isto não diz respeito a você. Isto é muito maior que você.
Você não é a pessoa que eu esperei ansiosamente por nove meses. Você não é a pessoa pela qual eu chorei de alegria quando nasceu. Você não é a pessoa a quem dei banho, alimentei, balancei para dormir durante as noites. Você não é a pessoa a quem eu ensinei a andar de bicicleta e cujo joelho esfolado eu beijei ou cuja mão eu segurei enquanto levava pontos. Você não é a pessoa cuja cabeça eu amo cheirar, cujo rosto ilumina quando eu chego em casa à noite e cuja risada soa como música para minha alma.
Você não é a pessoa que diariamente me dá significado e propósito e que eu adoro mais do que jamais imaginei adorar algo. E você não é a pessoa com quem eu espero estar quando der meus últimos suspiros neste planeta, olhando para trás agradecido por uma vida de tesouros compartilhados, sabendo que eu te amei da maneira certa.
Se você é pai, eu não sei como você responderá caso seus filhos sejam gays, mas eu oro para que você considere isso.
Um dia, a despeito de suas percepções sobre seus filhos ou de como foi sua paternidade, você talvez tenha que responder para uma criança assustada e ferida, cujo sentido de paz, identidade, aceitação, na verdade seu próprio coração, serão colocados em suas mãos de uma maniera que você nunca imaginou. E você terá de responder a isso.
Se este dia chegar para mim, se meus filhos saírem do armário para mim, este é o pai que eu espero ser para eles.
* Nota do autor: A palavra “gay” usada neste post se refere a qualquer um que se identifique como LGBT. Embora em conheça e respeite as distinções e diferenças, escolhi esta palavra porque ela é a mais simples e facilmente comunicável para o contexto deste artigo. Foi a maneira mais clara de me referir aos indivíduos não heterossexuais, usando uma palavra comum que ressoaria facilmente para o leitor comum.
Fonte: http://www.ladobi.com/2014/09/se-eu-tiver-filhos-gays/

sábado, 13 de setembro de 2014

Uma Pedagogia Para Saírmos da Apatia?


Vivemos nesses temos uma verdadeira crise de representação. Essa crise não perpassa apenas os modelos políticos partidários, mas também está imbuída em nossos movimentos sociais. Não é difícil encontrar pessoas que estão desiludidas com o trabalho comunitário na base ou mesmo financiadores que não mais acreditam que instituições possam promover as transformações sociais necessárias em determinadas regiões.

Dentro desse contexto uma apatia generalizada invade nossa sociedade. É a descrença que algo realmente possa vir acontecer e acabar com as injustiças existentes e propor um novo modelo de vivência. Levando em consideração esses pontos uma questão nos parece fundamental: O que mantém certos movimentos atuantes e cheios de credibilidade perante a sociedade?

Para responder essa questão precisei recorrer à vivência de minha fé, certo que ainda não tenho todas as respostas e talvez nunca as encontre. Para mim, Jesus Cristo é um paradigma de atuação social exemplar. Não somente pelas palavras ditas por Ele, mas pela vivência prática daquilo que Ele acreditava. Independente do seu pensamento sobre Jesus é indiscutível a sua presença em nossa sociedade na força de suas ideias.

No mundo teológico costumamos usar a expressão que Jesus encarnou a sua missão. Ele usa uma nova pedagogia que faz o povo crescer, segundo palavras do Frei Carlos Mesters: “Ele tem um novo jeito de se relacionar com as pessoas e de ensinar as coisas: Dá atenção às pessoas sem fazer distinção (Mt 22,16); ensina em qualquer lugar, acolhe a todos como ouvintes e permite que mulheres o sigam como discípulas (Lc 8,1-3; Mc 15,41); usa linguagem simples em forma de parábolas; reflete a partir dos fatos da vida (Lc 21,1-4; 13,1-5; Mt 6,26); confronta os discípulos com os problemas do povo (Mc 6,37); ensina com autoridade sem citar “autoridades” (Mc 1,22); apresenta crianças como professores de adultos (Mt 18,3); sendo livre, comunica liberdade aos que cercam (Jo 8,32-36), e estes, por sua vez, criam coragem para transgredir tradições caducas (Mt 12,1-8). Jesus vive o que ensina; passa noites em oração (Lc 5,16; 6,12; 9,18.28; 22,41) e suscita nos outros a vontade de rezar (Lc 11,1).

 Viver aquilo que se acredita é a base fundamental de qualquer ideia ou movimento. O que percebemos hoje um dia é um distanciamento do discurso e da prática. Discursos podem animar por instante, mas a prática ficará presente para sempre na memória daqueles que a vivenciaram. Não posso falar de comunidade se não sou comunidade, pois é a partir das nossas próprias dores e alegrias que tecemos o futuro que desejamos. Para nos mantermos como movimentos sociais atuantes e imbuídos de credibilidade perante a sociedade precisamos refazer o caminho sugerido por Jesus nos textos acima citados.


Poderíamos escrever sobre cada observação feita pelo Carlos Mesters sobre a pedagogia de Jesus e assim sistematizar um modelo de atuação que pudesse nos tirar dessa apatia. Entretanto, seriam as minhas observações a partir dos movimentos da qual faço parte. Por isso, convido-os a realizarem uma reflexão a partir de nossa indagação inicial (O que mantém certos movimentos atuantes e cheios de credibilidade perante a sociedade?), relacionando com o texto de Mesters e a prática de Jesus. Que essas reflexões animem seus corações!

Como Lutar Pela Democracia?

Nos dias que antecederiam o afastamento da Presidenta Dilma Roussef de suas funções no Governo Federal, recordo que fomos até a Avenida...