quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Os Bandidos de Rachel Sheherazade


Rachel Sheherazade já não me surpreendia por seus comentários sensacionalistas e sem nenhuma profundidade, marcados pelo preconceito e o fundamentalismo religioso. Entretanto nesses dias, como diria amigos próximos, ela se superou. Defendeu a violência gratuita e se colocou acima do estado para que seu direito a vingança seja respeitado. Esquecendo-se dos motivos que causam a desigualdade e a violência, recorreu ao “senso comum” de nossa sociedade preconceituosa que marginal (geralmente pobre e negro) precisa mesmo de uma boa corsa. Mais parecia um pedido de retorno ao tempo dos senhores dos escravos.

Uma das causas da violência para Rachel é porque o estado desarmou a população. Logicamente concluo que se a sociedade estivesse armada e pudessem sair amarrando ao tronco cada “marginalzinho” à violência acabaria. Ela cita os números de mortos no Brasil, mas parece desconhecer que a maioria deles são pobres e negros. Desconhece que a sociedade brasileira está sim muito bem armada e tem matado milhares a cada dia. Então afirma que é compreensível essa atitude de violência de jovens ricos contra o marginalzinho, sem analisar o porquê que o tal o marginal que estava à margem da sociedade ficou tão violento.

O mais incrível é que meses atrás quando um astro teen pinchou, roubou, brigou, usou drogas e foi preso, ela concluir que ele era apenas um adolescente em formação e que precisávamos dar mais tempo para “ele se encontrar”. Ao adolescente negro e pobre uma boa surra, porque não presta. No final do ano passado, quando o filósofo Paulo Ghiraldelli sugeriu que Rachel fosse estuprada, ela se defendeu: “Caso grave de incitação ao crime... liberdade de expressão termina onde começa a calúnia, difamação, ameaça e incitação ao crime”. Então, o que dizer do seu comentário no dia 04 de fevereiro? Foi uma incitação a paz?

O que mais me deixa boquiaberto é que muitos dos comentários da Rachel são baseados em seus princípios religiosos.  Mas, vejo que ela não segue algumas partes importantes desses tais “princípios cristãos”.  Se a Rachel é tão corajosa como diz ser e tão seguidora de Cristo, porque ao invés da vingança não propôs o perdão? Penso que ela pulou algumas partes importantes desse texto sagrado, principalmente aquele que diz: “se alguém lhe dá um tapa na face direita, ofereça também a esquerda! Se alguém faz um processo para tomar de você a túnica, deixe também o manto! Se alguém obriga você a caminhar um quilômetro, caminhe dois quilômetros com ele”! Não me estenderei nesses detalhes evangélicos, pois já percebemos que há uma grande diferença entre fala e prática.

Se nós faríamos um favor ao Brasil participando da campanha da Rachel Sheherazade “adote um bandido”, quero-te dizer que estamos quites. Diariamente eu acredito que pessoas que foram marginalizadas, tiveram seus direitos desrespeitados, foram vítimas do racismo e da violência do estado e de uma classe média ignorante podem sim chegar à consciência que lutando por seus direitos alcançarão os seus objetivos de igualdade e justiça. Eu posso deitar tranqüilo em minha cama todos os dias sabendo que ao invés de propor a morte aos meus irmãos lhes trouxe uma proposta de esperança. E você irmã Rachel?

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A Atuação do CONJUCE: É hora de Refletir!


Na última sexta-feira (31/01) aconteceu mais uma reunião do Conselho Estadual de Juventudes do Ceará. Na oportunidade foram eleitos novos integrantes para a mesa diretora do conselho. De antemão parabenizo a todos companheiros que democraticamente foram eleitos.

Entretanto, como um participante das reuniões do Conjuce, posso afirmar com toda a certeza e preocupação, que esse conselho não tem caminhado bem. Como representante de juventudes necessitamos agir com clareza e objetividade. O texto que encontrei nessa tarde no blog da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude não deixa transparecer todos os problemas que enfrentamos.

Primeiramente, o ano de 2013 foi um ano perdido. Não podemos mostrar as juventudes do Ceará algum produto que seja fruto de nossos encontros. Reuniões não aconteceram por falta de quórum e passamos um ano inteiro realizando um planejamento. O tal Sistema Estadual de Juventude, o Estatuto e outros pontos, ainda são desconhecidos pela maioria dos jovens do Estado e sua funcionalidade e real aprovação estão muito distantes. Mas sempre será o mês que vem.

Segundo, enquanto milhares de jovens morrem vítimas da violência no estado, este conselho demonstrou-se ineficaz na discussão sobre a temática e na proposição de ações que viessem contribuir com a diminuição das mortes de milhares de adolescentes e jovens. Por vezes, trouxe comigo denuncias gravíssimas de práticas violentas contras as juventudes e em silêncio ficou o conselho. Afinal de contas que jovens representamos?

E um terceiro ponto, e fundamental nisso tudo, o atual presidente afirmou que é meta “ampliar a participação e democratizar ainda mais o conselho e suas decisões”. Cabe-nos perguntar quem realmente participa do conselho? Que decisões vão ser democratizadas? Vejo a sociedade civil muito distante do conselho, talvez representada por duas ou três instituições que acabam sucumbidas por acordos políticos que na prática não atendem os anseios dessas juventudes que tem sido dizimada pela violência, opressão e preconceito. Só tenho duas certezas: Precisamos renovar e necessitamos urgentemente que as juventudes desse estado sejam mais presentes nesse espaço político. 

Como Lutar Pela Democracia?

Nos dias que antecederiam o afastamento da Presidenta Dilma Roussef de suas funções no Governo Federal, recordo que fomos até a Avenida...