segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Texto e Contexto da Criação da Rede Sustentabilidade


“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho”. Essa notável observação feita pelo educador Paulo Freire inspirou uma revolução na educação brasileira, entregando ao povo oprimido novas ferramentas de interpretação de sua realidade. Nos meus anos de seminário aprendi que nunca devemos olhar para um texto sem compreender o seu contexto, com risco de elaborarmos uma interpretação falsa da realidade vivenciada. O texto nos traz “um conjunto coerente e coeso de ideias”, mas somente com o seu contexto, ou seja, a situação concreta que o texto se refere, podemos lançar as interpretações devidas sobre o determinado tema.

Nos últimos dias temos visto no Brasil uma tentativa, que eu classificaria no mínimo esquisita, de desqualificar o trabalho realizado pela Rede Sustentabilidade, partido idealizado pela ex-senadora Marina Silva, na coleta de assinaturas para a sua legalização junto ao Tribunal Superior Eleitoral. O texto nos jornais, muito deles ligados a grandes grupos políticos, dão a entender que o partido em formação não cumpriu todas as regras estabelecidas para a sua legalização. Entretanto, esse é parte do texto, não do seu contexto. O contexto dessa história mostra que foram recolhidas 910 mil assinaturas e 660 mil foram entregues aos cartórios para validação. Desse número, 95 mil assinaturas foram invalidades de maneira irregular e sem explicação pelos cartórios. Soma-se a esse fato a questão que os cartórios eleitorais ultrapassaram os prazos de entregas das assinaturas, não consistindo uma falha da Rede Sustentabilidade. Também não houve explicações para essa demora.

Mais podemos ir mais adiante a uma leitura desse contexto. A Rede Sustentabilidade representa uma ameaça aos poderes existentes, uma alternativa viável para uma sociedade cada vez mais descrente no compromisso dos políticos. Ameaça os governos, pois representam cerca de 20% do eleitorado brasileiro, mesmo sem utilizar-se de máquinas governamentais para publicidade. Traz ideias inovadoras que não vem à política como profissão, mas uma vocação, um serviço prestado a sociedade. Anima as juventudes a participarem de um processo coletivo de criação partidária, estabelecendo um novo modelo de participação política. Quebra o monopólio dos partidos tradicionais quando permite candidaturas independentes.  

Por todos esses motivos, e tantos outros que não cabem em um pequeno artigo como esse, a Rede Sustentabilidade representa uma nova alternativa política, e sua não participação nas próximas eleições representará um duro golpe na democracia e na participação popular no Brasil. Ainda mais, se levarmos em contar o número altíssimo de fichas rejeitadas sem explicações e a demora dos cartórios eleitorais. Acredito que a justiça brasileira esteja consciente desses fatos e permitirá a legalização da Rede nos próximos dias, demonstrando sua seriedade e compromisso com aqueles que agem de maneira íntegra e correta. 

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