domingo, 16 de junho de 2013

Fortaleza Apavorada Me Deixou Apavorado



Nos últimos dias temos visto em Fortaleza um crescente movimento intitulado de Fortaleza Apavorada. Junto desse movimento ficou notória uma divisão entre as classes econômicas mais abastadas da cidade e os movimentos sociais oriundos da periferia. Para mim, qualquer forma de movimento, manifestação, luta por direitos é válida. Se encontram-se incomodados com a violência no país, que saem as ruas em busca de segurança pública de qualidade. Mesmo que as soluções apresentadas por esse movimento sejam extremamente errôneas, penso como o poeta que "é caminhando que se encontra o caminho". Vai ver, essa classe descobre que a origem da violência é um assunto muito mais amplo que imaginavam anteriormente.


Feitas essas considerações, hoje visitei uma página do movimento, a qual está indicada abaixo. Não posso negar a decepção ao ler essa frase: 

"Não temos o dever de saber se o Pirambu está passando por problemas de insegurança, afinal, não moro lá e não frequento esse bairro. Agora, quando roubam, matam ou sequestram alguém da nossa família, vamos às ruas pedir segurança sim."
Não sei quem escreveu, mas desejo que tenha sido um equívoco, um devaneio, uma falta de informação ou mesmo alguém mal intencionado querendo desqualificar o movimento. Porque como brasileiros, cidadãos bem instruídos é dever nosso saber o que está acontecendo nas periferias de nossa cidade. Esse conceito exclusivista, fruto de uma classe opressora, de uma mente egoísta e individualista, não pode ser qualificada como movimento social que busca o bem-estar de todos. Se não lhes interessa o que acontece no Pirambu, mas somente aquilo que acontece com a própria família de vocês, digo não, e repito não a esse tipo de ato e movimento.

Porque também não interessará a vocês saber o altíssimo números de adolescentes e jovens assinados em nossas comunidades onde faltam educação de qualidade, segurança, saúde e o mínimo de infraestrutura. Não interessará a vocês saber que desses assassinatos morreram 133% a mais de negros do que brancos. E que esses estão espalhados por nossas periferias. E que nessas periferias muitas mulheres são vítimas da violência diária por conta de um machismo louco enraizado em nossa sociedade que não permite que elas tenha livre escolha sobre o seu corpo. E como deixar de fora os milhares que são crucificados por conta de sua orientação sexual. Quando penso em família, penso em todos eles, porque um adolescentes assassinado no Planalto Airton Sena, Bom Jardim ou Pirambu, também faz parte de minha família, pois são tão humanos quanto eu.

Por enquanto não posso participar desse movimento e nem dou o meu apoio, pois considero que tenho o dever de saber que o Pirambu está passando por problemas relacionados a segurança, que toda essa cidade sofre as dores de um opressão sem fim.

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