quarta-feira, 27 de março de 2013

Páscoa, A Passagem Para a Liberdade



Uma das primeiras lições que aprendi sobre a páscoa foi quando já era adulto. Fiquei encantado de tal forma que resolvi fazer o meu trabalho de conclusão de curso na temática da páscoa e da celebração cristã da Ceia do Senhor (Eucaristia). A tradição judaica relata-nos que a primeira celebração ocorreu quando o povo hebreu era escravo no Egito. Naquela época, as vésperas de saírem daquele país, Deus pediu que eles preparassem uma ceia com pães sem fermento, ervas amargas e um cordeiro assado. Pois naquele dia eles sairiam da escravidão para a liberdade, seria uma passagem (páscoa) da morte para a vida.

Essa tradição relata-nos esses acontecimentos da seguinte maneira: os participantes  ficaram em pé, e com os lombos cingidos (vestidos), com o cajado na mão, com as sandálias nos pés, comeram apressadamente para ficarem prontos para uma longa jornada. Depois da saída do Egito essa celebração passou a ser feita como um memorial todos os anos. Quando as crianças perguntavam o porquê desses atos, os pais sentavam com ela e explicavam que um dia foram escravos, mas Deus os tinha libertado.

A história de Jesus, celebrada com muito vigor nesses dias de Páscoa cristã, também é uma história de sacrifício, de passagem de morte para a vida. Se na época dos hebreus, a opressão ficava por conta do Egito, nos tempos de Jesus o Império Romano e seus césares, juntamente com os líderes religiosos de Israel exerciam o poder opressor sobre a maioria da população. A morte de Jesus Cristo, em uma cruz romana, se deve em muito pelo fato da ameaça que ele representava para esses líderes.

O momento da páscoa serve-nos para relembrar-nos a nossa missão no mundo. Diversas formas de opressão ainda são reais nos dias de hoje. A violência tem retirado a vida de milhares de crianças, adolescentes, jovens e adultos pelo Brasil e o mundo. Violência que pode ser vista na tentativa de institucionalizar crimes com a exploração sexual infantil e consequentemente a pedofilia.  Violência na destruição de nossas florestas para atender o consumo desenfreado no mundo, mesmo que para isso seja necessário desrespeitar a vida em suas múltiplas formas, como vemos na Construção da Hidroelétrica de Belo Monte

Que nossa páscoa não seja a festa do consumo, mas seja a celebração de um povo que está em pé, com seu o cajado na mão e com os lombos cingidos (vestidos), com as sandálias nos pés, e com a pressa daqueles que desejam construir um mundo onde já não existam opressão e injustiça. Que possamos ensinar os nossos filhos e filhas que um dia fomos vítimas de todas as formas de escravidão, mas que enfim encontramos a liberdade. E fazemos isso em memória de todos aqueles que já experimentarem essa liberdade e por ela lutaram e morreram, fazemos isso em memória de Jesus Cristo. Feliz Páscoa Para Todos!

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