sábado, 9 de março de 2013

Mapa da Violência 2013 E A Letalidade Juvenil I




No dia 06 de março foi publicado o Mapa da Violência 2013 do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos e Flacso Brasil, com a coordenação de Júlio Jacobo Waiselfisz. O novo mapa traduz em números a violência que estamos presenciando cotidianamente em nossas comunidades, principalmente a alta taxa de assassinatos de jovens.  O que farei aqui é apenas um breve resumo desses números, entretanto para aqueles que desejam mais detalhes, poderá encontrar no site www.mapadaviolencia.org.br  a pesquisa completa.

O estudo focaliza os últimos trinta anos de mortalidade por armas de fogo no Brasil. São homicídios, suicídios e acidentes. Atualmente existem no Brasil cerca de 15,2 milhões de armas em mãos privadas, 6,7 milhões registradas, 8,5 milhões não registradas, e dentre essas armas não registradas, 3,8 milhões estão em mãos criminais. Nos últimos trinta anos cerca de 800 mil pessoas morreram vítimas de disparos de alguma arma de fogo. Entre essas vítimas 450.235 eram jovens com idades entre 15 e 29 anos.

As juventudes do nosso país são as grandes vítimas da violência por AF. As taxas da população não jovem passam de 3,5 óbitos em 1980 para 10,7 em 2010, o que representa um crescimento de 7,2 pontos percentuais. Nesse mesmo período as taxas juvenis passam de 9,1 para 42,5 óbitos por 100 mil jovens, o que representa um crescimento de 33,4 pontos percentuais. O estudo revela que a maioria das vítimas são homens e negros (pardos e pretos). Morreram 133% a mais de negros do que brancos.  Em alguns estados como a Paraíba e Alagoas para cada branco vítima de arma de fogo, morrem mais de 18 negros.

Na Região Norte houve um aumento de 195,2% da taxa de mortalidade. Os estados que lideram esses números são: Pará, que teve um crescimento de 398,5%, e Amazonas com 151%. A Região Nordeste apresentou crescimento da taxa de mortalidade em torno de 92,2%. Maranhão apresenta uma taxa de crescimento de 344,6%. Outros estados como Alagoas, Paraíba, Bahia e Ceará mostram taxas de crescimento maiores do que 200%.  Pernambuco apresentou uma redução da mortalidade por AF em 27,8%. Lembrando que esses dados referem-se aos anos 2000 a 2010. A Região Sudeste apresentou uma alta queda dessas taxas, lideradas por São Paulo. Entretanto Minas Gerais teve um aumento 64,2% da mortalidade por AF.

Algumas cidades trazem dados preocupantes. Simões Filho e Lauro de Freitas, na Bahia, e Campina Grande do Sul e Guaíra, no Paraná, ultrapassaram a marca de 100 mortes em cada 100 mil habitantes. Números que não são encontrados nem em zonas de grandes conflitos armados pelo mundo.

Para entendermos a gravidade da violência em nosso país é necessário conhecermos a realidade de outras nações ou mesmo os dados de alguns conflitos armados (países em disputas territoriais, guerras civis, movimentos emancipatórios, enfrentamentos religiosos, raciais ou étnicos). Entre os anos de 2004 e 2007 esses conflitos ao redor do mundo levaram ao assassinato de 167.574 pessoas. Nos mesmos quatro anos morreram no Brasil 192.804 pessoas vítimas de armas de fogo. E vejamos que o Brasil não está envolvido em nenhum desses conflitos citados acima. Nossas taxas são mais altas do que países que têm maior população do que a nossa, como China e Índia. Para finalizarmos esses dados, no ano de 2010 aconteceu no Brasil um total de 75.555 mortes de jovens de 15 a 29 anos de idade.  22.694 dessas mortes foram por armas de fogo.

Não podemos transformar esses dados em simples estatísticas. Sabemos que nesses números estão muitos amigos e parceiros nossos. Gente que caminha conosco em nossas comunidades, mas que a violência os tragou de nós. No próximo post faremos uma análise do que tem gerado essa violência de acordo com o Mapa da Violência.

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