segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

V Encontro Nacional do MJPOP



Entre os dias 21 a 26 do corrente mês participei do V Encontro Nacional do MJPOP (Monitoramento Jovem de Políticas Públicas), que aconteceu na cidade de Belford Roxo – RJ. Jovens de todo país reuniram-se, com apoio da Visão Mundial Brasil, para discutir sobre o monitoramento de políticas públicas (saúde, educação, esporte, lazer...) e o papel das juventudes nesse processo. O encontro marcado por debates riquíssimos dificilmente poderia ser resumidos em poucas palavras. Mas, alguns momentos foram chaves para mim e gostaria de compartilhar com vocês a partir desse momento.

Primeiramente gostaria de falar sobre o compromisso Cristão. Sempre defendi que o modelo de desenvolvimento comunitário encontrado nos evangelhos e em porções do Antigo Testamento é uma ferramenta eficaz na criação de comunidades mais justas e igualitárias.  Nas palavras de Daniel Moreno percebemos que precisamos defender a causa que Jesus defendeu, colocar-se no lugar do oprimido e juntamente com ele buscar a vida em abundância. Deus está muito interessado nas causas sociais. Descubra Deus no morro. Onde há caos, Ele está presente para trazer vida” (Daniel Moreno).


Segundo, Compromisso Político efetivo. Encontramos pessoas comprometidas com o bem-estar das pessoas. Nessa caminhada percebemos que não estamos sozinhos, que os espaços políticos precisam ser preenchidos com a presença de pessoas sérias e comprometidas com a vida.  Essa participação não é necessariamente dentro de partidos políticos, mas podem ser feita através de uma sociedade civil conscientizada de seus deveres e direitos. Temos que imaginar que os interesses da sociedade civil representam não apenas a única forma de resistência dos cidadãos, mas, isto é fundamentalmente, uma condição do bom governo, como afirma Engels: “Não é o Estado que condiciona e regula a sociedade civil, mas é esta que condiciona e regula o Estado”.

Em terceiro lugar, A teoria transformada em prática.  Notamos que a metodologia não ficou apenas no método, mas o método foi colocado em prática nos seus minuciosos detalhes agregando a eles a criatividade comunitária de cada local. Com isso, houve grandes avanços nos serviços públicos de determinadas comunidades (postos de saúde e escolas principalmente). O mais inspirador, e talvez o mais difícil de mensurar na nossa maneira tão pragmática de “avaliar indicadores”, é a transformação individual dos jovens e adolescentes. A felicidade, o senso de dever cumprindo, a capacidade de vê-se como um sujeito capaz de transformar a sua realidade, uma nova forma de ver o mundo são indicadores que dificilmente podemos quantificar.

Enfim, todo esse processo me remota a Robert Putnam quando ele criou dois conceitos fundamentais sobre o desenvolvimento das comunidades: comunidades cívicas e capital social. Para Putnam, as comunidades cívicas foram caracterizadas como “cidadãos atuantes e imbuídos de espírito público, por relações políticas igualitárias, por uma estrutura social firmada na confiança e na colaboração”. Para poder articular o conceito de comunidades cívicas, outro conceito foi criado por Putnam: capital social. “Enquanto capital físico refere-se a objetos físicos e capital humano refere-se a propriedade dos indivíduos, capital social refere-se a conexão entre indivíduos, redes sociais e às normas de reciprocidade e lealdade que nascem deles” (Gohn, 2004, p. 24). É o que Putnam chama de “virtude cívica”. E quanta “virtude cívica” encontramos no MJPOP.

(Régis Pereira)

para maiores informações acesse: wwww.mjpop.com.br

Em memória dos mortos de Santa Maria


Texto escrito por Leonardo Boff
Os antigos já diziam:”vivere navigare est” quer dizer, “viver é fazer uma viagem”, curta para alguns, longa para outros. Toda viagem comporta riscos, temores e esperanças. Mas o barco é sempre atraído por um porto que o espera lá no outro lado.
Parte o barco mar adentro. Os familiares e amigos da praia acenam e o acompanham. E ele vai lentamente se distanciando. No começo é bem visível. Mas na medida em que segue seu rumo parece aos olhos cada vez menor. No fim é apenas  um ponto. Um pouco mais e mais um pouco desaparece no horizonte. Todos dizem: Pronto! Partiu!
Não foi tragado pelo mar. Ele está lá, embora não seja mais visível. E segue seu rumo.
O barco não foi feito para ficar ancorado e seguro na praia. Mas para navegar, enfrentar ondas, vencê-las e chegar ao destino.
Os que ficaram na praia não rezam: Senhor, livra-os das ondas perigosas, mas dê-lhe, Senhor, coragem para enfrentá-las e ser mais forte que elas.
O importante é saber que do outro lado há um porto seguro. Ele está sendo esperado. O barco está se aproximando. No começo é apenas um ponto levemente acima do mar. Na medida em que se aproxima é visto cada vez maior. E quando chega, é admirado em toda a sua dimensão.
Os do porto dizem: Pronto! Chegou! E vão ao encontro do passageiro, o abraçam e o beijam. E se alegram porque fez uma travessia feliz. Não perguntam pelos temores que teve nem pelos riscos que quase o afogaram. O importante é que chegou apesar de todas as aflições. Chegou ao porto feliz.
Assim é com todos os que morrem. O decisivo não é sob que condições partiram e saíram deste mar da vida, mas como chegaram e o fato de que finalmente chegaram. E quando chegam, caem, bem-aventurados, nos braços de Deus-Pai-e-Mãe de infinita bondade para o abraço infinito da paz. Ele os esperava com saudades, pois são seus filhos e filhas queridos navegando fora de casa.
Tudo passou. Já não precisam mais navegar, enfrentar ondas e vencê-las.  Alegram-se por estarem em casa,  no Reino da vida sem fim. E assim viverão para sempre pelos séculos dos séculos.
(Em memória dolorida e esperançosa dos jovens mortos em Santa Maria na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Minhocas acham tudo normal


Para nós o Ano Novo traz a brisa que nos incentiva a lutar por um novo mundo, um novo sistema
09/01/2013
 Vito Giannotti
 Começa mais um ano: calor, cerveja, carnaval, futebol, novela, big brother e até o papa virá ... Tudo normal. Tudo normal, não! Para os conservadores pode até estar tudo certo. Para os revolucionários, não. Se os primeiros continuam achando, como sempre acharam , que nada é possível mudar porque a eles interessa que nada mude, para nós o Ano Novo traz a brisa que nos incentiva a lutar por um novo mundo, um novo sistema.
O pensamento conservador permeia a sociedade e faz com que muitos reproduzam esta forma de ver o mundo. Por isso, é comum ouvirmos o trabalhador mais simples, a quem mais interessam as mudanças, dizer nos elevadores dos prédios das cidades: “É assim mesmo; sempre foi assim. Fazer o quê?” O pensamento conservador faz com que as pessoas aceitem tudo como está. “Não precisa mudar”. “Não dá para mudar”.
O revolucionário, por sua vez, não aceita nada como definitivo, imutável, “imexível”. Indigna-se com quase tudo e se dispõe a combater o que considera errado. Muitos alimentam-se desta passagem dos anos para se perguntar: “O que dá para mudar? O que precisa mudar? O que fazer?”
 Primeiro passo: abrir os olhos
Há dois grupos de jovens cariocas, um de funk, outro de rap, que adoro. O MC Leonardo canta um funk com um refrão muito explícito: “Tá tudo errado! Tá tudo errado!”. O Bonde da Cultura, grupo de jovens revolucionários, num de seus raps, repete mais dez vezes: “Vamos derrubar o sistema”.
É... mas para derrubar o sistema e construir outro é preciso estar informado, de tudo. Saber quantos pobres, pretos, favelados foram assassinados na noite de Natal pela polícia a serviço do sistema. Não basta saber que a Índia é campeã mundial de hanseníase, isto é, lepra. É preciso saber que o Maranhão supera o índice da Índia e que aqui no Rio, no coração das futuras Olimpíadas, há o município de São João de Merití que supera o índice do Maranhão.
Na Venezuela de Chávez não há mais analfabetismo. O mesmo na Bolívia com Evo Morales. E aqui no nosso país, quantos analfabetos há? Analfabetismo não é normal. Conviver com o racismo e o preconceito racial tão caro à elite escravagista que sempre controlou o nosso país, não é normal.
E desde quando é normal o salário mínimo ser dos mais baixos da América Latina e a mídia, capitaneada pelo jornal O Globo reclamar de um aumento de R$ 4 além do valor estabelecido pelo governo, em 2012, para 2013?
Não é normal. Assim como não é normal não ter nenhum torturador da Ditadura de 1964 presos quando há generais ex-presidentes presos na Argentina, Uruguai e Chile.
 Segundo passo: se organizar
Ter consciência é mesmo o primeiro passo. O seguinte é se juntar às organizações existentes ou criar novas: partidos, sindicatos, centrais, associações, uniões de jovens, de velhos, de rebeldes, de todo tipo de inconformados e forçar mudanças, de mil formas.
Mudanças na vida prática, nas leis e na visão de mundo de milhares e milhares. Para isso, precisa fazer mil coisas. Uma das principais é criar nossos canais de comunicação. Sim, criar nossa mídia, cada vez melhor e mais forte.
O ano de 2013 está aqui. Vamos domá-lo, que nem um cavalo bravo!

Disponível em: http://www.brasildefato.com.br/node/11500

Como Lutar Pela Democracia?

Nos dias que antecederiam o afastamento da Presidenta Dilma Roussef de suas funções no Governo Federal, recordo que fomos até a Avenida...