sábado, 29 de dezembro de 2012

Paradigmas do Passado e do Futuro



Aproximamo-nos do cumprimento de mais um círculo anual. Entretanto, mais do que olhar para esses períodos anuais, precisamos estender nossa visão e compreender o processo evolucionário da terra e da humanidade. O teólogo brasileiro Leonardo Boff definiu essa fase como planetária: “Os povos dispersos nos diversos continentes e encerrados seus estados-nações começam a se mover rumo à Casa Comum, ao planeta Terra”.

Duas atitudes básicas estão presentes no processo de globalização. Uma que se orienta pelo passado e outra que se volta para o futuro. Entre esses dois paradigmas, necessitamos escolher qual será o nosso orientador neste novo mundo. Olhar para trás é deixar se levar por conceitos e práticas da inimizade e do confronto. Carl Schmitt afirmava que “a essência da existência política de um povo é a sua capacidade de definir o amigo e o inimigo”. Huntington caminhava na mesma direção ao afirmar: “Os inimigos são essenciais para os povos que estão buscando sua identidade e reinventando sua etnia... pois só sabemos quem somos quando sabemos quem não somos e, muitas vezes, quando sabemos contra quem somos”.

Essas duas afirmações são perigosas demais para a nossa existência na terra. Deixa o nosso tempo com as tristes marcas das guerras. Ensinam-nos a dividir o mundo em bem e mal. Todos aqueles que não pensam igualmente a nós, não creem como cremos ou não levam o estilo de vida que levamos são essencialmente maus. Não há espaço para o diálogo, pois na crença que o outro é inferior a mim não percebo a vida, a criatividade e a diversidade existentes nele.

Mas não precisamos ficar presos a esse paradigma. Podemos olhar para frente, para o novo, para o paradigma do hóspede e da aliança. “Necessitamos mudar nossos hábitos para não sermos responsáveis por grandes crises e desastres clamorosos”. Os recursos naturais do nosso planeta não são infinitos, nossa água potável é escassa, nossas guerras podem levara destruição do planeta. “Ao paradigma do inimigo e do confronto, precisamos contrapor o paradigma do aliado, do hóspede e do comensal. Do confronto devemos passar a conciliação e da conciliação chegar à convivência e da convivência a comunhão e da comunhão à comensalidade” (Boff).

Esse novo paradigma se inicia em nossa prática diária. Não podemos falar em grande transformação planetária, se não houver uma grande transformação dentro de cada indivíduo. Esses conceitos necessitam ser valorizados no indivíduo, na família, na comunidade e na cidade.  Olhar para outro como aliado, hóspede importante, perceber o entrelaçar da vida, onde antes só existia o confronto e a inimizade.

Um comentário:

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