sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Pontes, Acquários e Prioridades



Hoje pela manhã indignei-me com o noticiário político de nossa capital cearense. O Governo do Estado anunciou duas grandes obras previstas para iniciarem no próximo ano: o Acquário, na Praia de Iracema, e uma ponte estaiada sobre o Rio Cocó. Sem querer ser injusto com o governo estadual, também houve o anúncio de construção de UPA´s (Unidades de Pronto Atendimento) e a Linha Leste do Metrô.

Entretanto, o que nos chama atenção é o alto volume de obras que não respondem as necessidades dos fortalezenses. Técnicos afirmam que esta ponte resolve apenas parcialmente o problema do trânsito naquela região, nos levando a imaginar que existem outros interesses por trás dessa obra. O Acquário já foi duramente criticado pela população, mas a altivez do governador faz com que ele passe por cima de qualquer crítica.

A minha indignação tem números concretos. Nas regionais da qual trabalho em projetos de desenvolvimento comunitária a desigualdade é alarmante. Por exemplo, a Regional V, que tem 21,5 da população de Fortaleza, é a mais populosa e também a mais pobre. Tem o segundo maior índice de analfabetismo da cidade e somente 24% dos imóveis tem saneamento básico. A Regional VI também tem números quase que idênticos a Regional V, principalmente na questão de saneamento. As duas possuem uma grande população de jovens, que estão à mercê da violência presente nas comunidades excluídas socialmente. Nenhuma instituição pública desses locais (escolas, creches, postos de saúde...) parecem funcionar adequadamente.

Prefeitura e governo do estado antes de preocuparem com Copa do Mundo, interesses de elites empresariais, precisam trabalhar para modificar essa triste realidade social. Acquário e ponte estaiada não resolvem problema do saneamento básico. Pouco investimento em educação gerará poucos profissionais qualificados. Só encontraremos soluções para o problema da violência urbana se fizermos os investimentos corretos no bem-estar de toda a população. E acima de tudo, todo governo democrático precisa ser participativo, e o faz quando atende os anseios de seu povo.

Precisamos ficar atentos a essa realidade que está diante de nós. Quais são as reais prioridades do governo do estado e prefeitura? Quais são os verdadeiros anseios do povo dessa cidade? Essas são perguntas fundamentais que determinarão se continuaremos sendo uma das cidades mais desiguais do mundo ou uma nova cidade onde a justiça fez morada com a paz e a igualdade.

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