segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Crianças Invisíveis



No último dia das crianças tive a oportunidade de “dormir na rua” juntamente com outros amigos(as), como forma de protesto afim de despertar a atenção do poder público para o número altíssimos de crianças e adolescentes que sofrem diversos tipos de violência na cidade de Fortaleza. O ato foi organizado pela Associação O Pequeno Nazareno, Visão Mundial, Equipe Interinstitucional de Abordagem de Rua, Fórum DCA, com apoio da Campanha Criança Não é de Rua.

À noite relembramos o nome de vários adolescentes assassinados na capital cearense. Até setembro desse ano mais de 162 crianças e adolescentes foram assassinadas na Capital e Região Metropolitana. Um número assustador que a cada dia tem crescido e percebemos que o poder público pouca coisa tem feito para mudar essa realidade. Muitos desses adolescentes foram assassinados em comunidades que nós nos acostumamos a denominá-las de violentas. Entretanto, um dos participantes do movimento chamou atenção para algo: “nossas comunidades não são violentas, elas são excluídas, esquecidas pelos governos, não há educação de qualidade, segurança, saúde ou saneamento básico”.

Diante da inércia do poder público, crianças e adolescentes deixam suas comunidades a procura da sobrevivência em espaços públicos, como bem lembrou Manoel Torquato, coordenador da Associação O Pequeno Nazareno. Não podemos olhar para elas como grandes vilãs e causadores de toda violência estalada em nossa capital. Ao contrário, são também vítimas de um sistema que nunca procurou ajudá-las ou dar a mínima condição para que pudessem se desenvolverem com segurança e dignidade. Jogadas na rua, tornam-se alvos fáceis para outros tipos de violência, incluindo o uso de drogas, dentre elas o crack.

Essas também são nossas crianças, muitas vezes invisíveis, pois não recusamos a olhar para elas. Mas, estão lá e se faz necessário que lutemos para que os seus direitos sejam respeitados e garantidos. Dormir na rua foi sensação terrível para mim, o frio não é confortador. Imagina todos os dias ter que está ali para poder tentar garantir a sobrevivência. 

Você pode obter mais informações sobre a temática em:
http://www.criancanaoederua.org.br/
http://www.opequenonazareno.org.br/
http://www.forumdca.org.br/
http://www.visaomundial.org.br/

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