quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Transformações de Vida na Rota da Paz


Reunir para poder falar sobre si mesmo, suas dificuldades, para escutar, rir e chorar. Valorizar a amizade, descobrir a partilha como o dom de multiplicar o pouco, respeitar o outro em suas diversas formas de vida. Buscar o desenvolvimento pessoal, sem esquecer que toda conquista é mais real e verdadeira se for coletiva. Praticar a paz de tal forma que ela se torne um hábito fazendo desaparecer pouco a pouco os resquícios de violência. Essa seria uma pequena definição, de minha parte, sobre o que é Rota da Paz.

Os jovens e adolescentes reuniam-se semanalmente para poder tratar sobre os temas citados acima. No grupo, todos podem falar e expressar seus sentimentos sem medo de qualquer tipo de preconceito ou repressão. Talvez fosse essa liberdade, não encontrada em nenhum outro lugar, que motivava a participação sempre crescente. Uma educadora certa vez comentou: “Acredito que a Rota tem essa sensibilidade de cultivar uma educação voltada para a vida, que sensibiliza para uma tomada de consciência e superação de limites individuais e coletivos”.

Essa superação, citada acima, percebi ao longo dos anos em que participei da Rota da Paz juntamente com jovens de algumas comunidades de Fortaleza. Foi fantástico ver a transformação de vida de vários deles, aproveitando cada oportunidade recebida, mas acima de tudo criando suas próprias oportunidades que levariam a realização dos seus sonhos. O alicerce dessa nova cultura vivenciada por esses jovens era a paz, qualquer ação, pensamento deveria ser guiado em torno dela.


Alguns depoimentos são emocionantes, como de um jovem que acabara de perder o seu pai: “Hoje eu sei que amizade é tudo. Quando perdi meu pai, foram os meus amigos da Rota que me ajudaram a superar esse momento”. Outra jovem falou: “Eu era rebelde e isolada de todo mundo, não gostava de conversar com ninguém e odiava escutar os outros. Na escola eu era expulsa quase que todos os dias. Hoje em dia eu gosto de ser aconselhada, presto atenção nas aulas (e até tiro notas boas em matemática), aprendi a confiar nas pessoas, voltei a ser amiga de minha mãe e percebi que amizade verdadeira existe. Aprendi tudo isso participando da Rota da Paz”.

Nesses relatos percebemos como foi importante a atuação da Rota da Paz na vida desses jovens. O ambiente de partilha e amizade construída ao longo do tempo nos ensinou que é possível viver uma cultura de paz, acima de tudo porque todos precisam se ver como multiplicadores da pacificação.

Acesse www.rotadapaz.blogspot.com e acompanhe outros depoimentos e notícias sobre como se deu o andamento desse projeto.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Rota da Paz, Por Uma Cultura de Paz!




Uma das propostas desse blog em sua criação era compartilhar histórias que representassem a busca pela justiça e igualdade, experiências que possibilitassem a transformação de uma realidade social tão sofrida. Nada melhor do que começar por uma que conheci e participei ativamente nesses últimos anos: Rota da Paz.

No ano de 2009 conheci uma instituição denominada Missão Betsaida que desenvolvia projetos na área de desenvolvimento comunitário. Foi a partir dessa relação que entrei em contato com a Metodologia Rota da Paz. Para entendermos o contexto da criação desse projeto, hoje metodologia na área de cultura de paz, precisamos direcionar o nosso olhar para a cidade de Fortaleza.

O Mapa da Violência feito pelo Instituto Sangari demonstrou que o número de mortos por causa do uso da violência aumentou no Nordeste, chegando a declarar que essa região pode ser definida como a grande chaga da violência no país. Os números de homicídios aumentaram 65%, os suicídios 80% e os acidentes de trânsito 37%. Na população jovem os índices são ainda piores: um crescimento de 49% nos acidentes, 95% nos homicídios e 92% nos suicídios. Fortaleza é um dos municípios onde esses dados se confirmam, pois entre 2002 e 2010 a taxa de homicídios contra crianças e adolescentes triplicou. A capital subiu da 21ª posição para a 6ª posição no ranking nacional.

Sensibilizada pela dor dessas famílias que perdiam seus filhos e motivadas pelos parceiros para a criação de um projeto que pudessem agir no meio desses ciclos de violência, a equipe da Missão Betsaida, na pessoa de sua coordenadora Rose Lira, trabalhou na elaboração do Projeto Rota da Paz. Logo nos primeiros meses de aplicação as mudanças já eram visíveis na vida dos adolescentes e jovens beneficiados. Com o sucesso do projeto, Rose Lira foi desafiada a sistematizá-lo, concluindo dessa forma a formação da Metodologia Rota da Paz.

Abaixo, reservamos uma entrevista com a Rose Lira no Programa Papo na Rede, pertencente a Koinonia Online. Durante a semana continuaremos a falar um pouco sobre a Rota da Paz.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Crianças Invisíveis



No último dia das crianças tive a oportunidade de “dormir na rua” juntamente com outros amigos(as), como forma de protesto afim de despertar a atenção do poder público para o número altíssimos de crianças e adolescentes que sofrem diversos tipos de violência na cidade de Fortaleza. O ato foi organizado pela Associação O Pequeno Nazareno, Visão Mundial, Equipe Interinstitucional de Abordagem de Rua, Fórum DCA, com apoio da Campanha Criança Não é de Rua.

À noite relembramos o nome de vários adolescentes assassinados na capital cearense. Até setembro desse ano mais de 162 crianças e adolescentes foram assassinadas na Capital e Região Metropolitana. Um número assustador que a cada dia tem crescido e percebemos que o poder público pouca coisa tem feito para mudar essa realidade. Muitos desses adolescentes foram assassinados em comunidades que nós nos acostumamos a denominá-las de violentas. Entretanto, um dos participantes do movimento chamou atenção para algo: “nossas comunidades não são violentas, elas são excluídas, esquecidas pelos governos, não há educação de qualidade, segurança, saúde ou saneamento básico”.

Diante da inércia do poder público, crianças e adolescentes deixam suas comunidades a procura da sobrevivência em espaços públicos, como bem lembrou Manoel Torquato, coordenador da Associação O Pequeno Nazareno. Não podemos olhar para elas como grandes vilãs e causadores de toda violência estalada em nossa capital. Ao contrário, são também vítimas de um sistema que nunca procurou ajudá-las ou dar a mínima condição para que pudessem se desenvolverem com segurança e dignidade. Jogadas na rua, tornam-se alvos fáceis para outros tipos de violência, incluindo o uso de drogas, dentre elas o crack.

Essas também são nossas crianças, muitas vezes invisíveis, pois não recusamos a olhar para elas. Mas, estão lá e se faz necessário que lutemos para que os seus direitos sejam respeitados e garantidos. Dormir na rua foi sensação terrível para mim, o frio não é confortador. Imagina todos os dias ter que está ali para poder tentar garantir a sobrevivência. 

Você pode obter mais informações sobre a temática em:
http://www.criancanaoederua.org.br/
http://www.opequenonazareno.org.br/
http://www.forumdca.org.br/
http://www.visaomundial.org.br/

Como Lutar Pela Democracia?

Nos dias que antecederiam o afastamento da Presidenta Dilma Roussef de suas funções no Governo Federal, recordo que fomos até a Avenida...