sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A Arte do Encontro



Sempre desejei escrever algo sobre política, desenvolvimento comunitário ou movimentos sociais. Não negarei que não o fiz antes, pois ficava receoso sobre o quê escrever ou como escrever. Entretanto, no ano passado iniciei uma pesquisa sobre a Participação Popular e o seu Impacto nas decisões dos gestores públicos. Ao longo da pesquisa o meu pensamento foi se ampliando em diversos temas, tanto por causa da pesquisa, como também pelo trabalho junto às comunidades.

Foi nesse momento que percebi mais claramente como nossa sociedade ainda precisa superar diversas barreiras para torna-se mais justa. As pessoas continuam sendo privadas da liberdade de se desenvolverem integralmente. Essa privação aparece em um sistema de educação falho, na humilhação para ter acesso à saúde e moradia, na ausência de segurança e no direito que muitos não têm de viverem. Em resumo, mesmo com o grande desenvolvimento econômico do nosso país, milhares de pessoas continuam as margens da sociedade em condições subumanas.

Então, como tratar tudo isso? A resposta em minha cabeça era rápida: participação social. Eu pensava rapidamente se todas as comunidades se reunirem, se todos estiveram com o mesmo pensamento, nós vamos conseguir uma grande mudança. Mas, essa era a grande questão, nem todo mundo pensava igual, nem todos estavam interessados no mesmo tema. Portanto, como convencer as pessoas a participarem de um processo de mudança? Antes disso, como mostrar que a situação que muitos se encontram é injusta e que existe a possibilidade de mudança?

Um dia eu estava na fila do ônibus e comecei a observar ao redor. Existiam duas filas: uma para idosos, gestantes, portadores de necessidades especiais e mães com crianças no colo, e a outra fila para o restante da população. Quando o ônibus chegou notei que muitas pessoas correram para a filha reservada para pessoas com as necessidades acima citadas, mesmo sem se enquadrar naqueles padrões. O que essas pessoas estavam fazendo era incorreto, estavam tentando tirar vantagem de uma situação.

Não entrei no ônibus, sentei e comecei a meditar ainda chateado com a cena. Mas, pensei, eu não posso convencer aquelas pessoas a entrarem de maneira correta, o que eu posso fazer é entrar no ônibus em minha fila, pois se eu não fizer isso serei contado como mais um que desrespeita o direito do outro. E de maneira até rudimentar, elevei o meu pensamento sobre a participação social: não posso convencer todos a participarem de movimentos de luta por seus direitos e liberdades, mas posso começar a lutar por aquilo que acho justo e digno com pequenas atitudes.

Não sou o único que entra pela fila correta do ônibus, como também não sou o único que deseja uma sociedade melhor. Isso nos anima, porque sabemos que podemos conquistar muitas coisas juntos, só precisamos nos encontrar, afinal: “ninguém muda ninguém, ninguém muda sozinho, nós mudamos nos encontros” (Roberto Crema). E vamos nos encontrar muitas vezes por aqui e em outros locais para promover a nossa mudança, e isso é participação social: A arte do encontro!

2 comentários:

  1. É muito animador ver que não se está sozinha nas atitudes e na forma de pensar!!!! Parabéns pelos textos... Não é fácil encontrar nos dias de hoje textos tão coerentes com a verdade do evangelho!!!! Já virei seguidora do blog!!!!!!

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  2. Obrigado Emanulle. Esse projeto que está apenas no início, pretendemos em mais dias aumentar o número de informações sobre pessoas e atitudes dignas de serem chamadas evangélicas, pois se tratam de boas novas de salvação. Que Deus nos abençoe em tudo isso!

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