terça-feira, 25 de setembro de 2012

Aliança Evangélica se manifesta contra o voto de cajado




A Aliança Cristã Evangélica do Brasil(ACEB), lançou uma carta pastoral sobre as eleições onde condena o “voto de cajado”. Para a ACEB, o voto “é exercício de cidadania. É secreto e tem de ser responsável. Não está à venda e não pode ser produto de negociações manipuladoras” e adverte que o "Voto de cajado" é voto aviltado e precisa ser denunciado.

O texto também lembra que que o “púlpito é sagrado” e que o voto não pode ser utilizado para favores indevidos para indivíduos ou grupos e que o exercício do voto deve ser para o bem de toda a cidade.
Para Christian Gillis, pastor batsita e membro da ACEB, “é preciso alertar contra toda forma de manipulação eleitoral, seja de que matriz for esta tentativa, e não apenas a de origem religiosa”. Gillis também afirma que “O voto segundo a própria consciência do eleitor é absolutamente necessário para a dinâmica democrática - é a base do sistema - para fazer opção por programas de governo e escolha de legisladores. Naturalmente os graus de consciência social e política variam e o cidadão deve ser, e se sentir, livre para votar soberanamente, sem que ninguém determine a ele o que seria voto consciente. O cidadão deve escolher de acordo com os valores com os quais se identifica, e não segundo as expectativas de quem quer que seja”.
Veja o texto na íntegra:

Carta Pastoral ACEB - A vocação cristã para o voto cidadão

E procurai a paz da cidade… e orai por ela ao Senhor: porque na sua paz vós tereis paz. (Jr 29:7)
Caros irmãos e irmãs,

Aos nos aproximarmos das eleições municipais em outubro queremos celebrar a nossa democracia e o privilégio de contribuir, através do nosso voto, para a construção de uma sociedade mais sólida e participativa. Votar solidifica a democracia e queremos fazer parte deste processo. Reconhecemos que nos últimos anos o Brasil tem mudado muito e para melhor, mas o que preocupa sobretudo, neste novo período eleitoral, é que o nosso sistema político partidário é arcaico e viciado. Não responde às demandas atuais, ignora as possibilidades gerenciais e tecnológicas disponíveis e carece de profundas mudanças sistêmicas, programáticas e éticas. Este sistema precisa mudar e nossos políticos precisam adequar-se às necessidades de uma sociedade mais justa, mais transparente e mais participativa.

Votar é uma forma de contribuirmos, como brasileiros e brasileiras, para a construção da nossa nação. Como cristãos evangélicos, comprometidos com os destinos do país, vamos votar nesta consciência e convidar todos ao nosso redor a fazerem o mesmo.

Como cristãos evangélicos, nos identificamos com a advertência do profeta Jeremias ao seu povo: Procurai a paz da cidade e orai por ela ao Senhor, porque na sua paz vós tereis paz. É por esta razão que, nas eleições que se aproximam, queremos caminhar para as urnas movidos por princípios que consideramos centrais:

- O voto é exercício de cidadania. É secreto e tem de ser responsável. Não está à venda e não pode ser produto de negociações manipuladoras. "Voto de cajado" é voto aviltado e precisa ser denunciado.

- A igreja é de Jesus Cristo e não pode ser identificada com nenhum partido político. O púlpito é sagrado e não pode ser usado como plataforma política de candidato algum.

- Votemos no que consideramos melhor para a cidade e não em busca de favores pessoais ou mesmo de grupos.

- Votemos em candidatos que afirmem e tenham histórias de vida que reflitam os valores do Reino de Deus, entre os quais justiça, liberdade e
verdade.

Caminhemos, pois, para o dia 07/10/2012 valorizando o nosso voto e o voto de todos, conscientes de que assim contribuiremos para a construção de uma sociedade democrática que não se esquece do outro, especialmente do pobre e do pequeno, e cujos resultados nos levem a dizer: Soli Deo Gloria!

Graça e paz!
Aliança Cristã Evangélica Brasileira

Disponível em: Blog do Fale

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Liberdade, Causa e Conseqüência do Desenvolvimento




Escolhi por título desse texto a afirmação do Prêmio Nobel de Economia, o indiano Amartya Sen, que em sua obra afirma que a “a liberdade precisa ser vista como causa e conseqüência do desenvolvimento”. Hoje, baseado no autor citado, falaremos um pouco sobre o conceito de desenvolvimento sobre uma nova ótica.

Nunca foi fácil encontrarmos uma afirmação unânime sobre o conceito de desenvolvimento, mas podemos afirmar que até poucos anos atrás ele era entendido como sinônimo de crescimento econômico. Portanto, determinada nação era considerada desenvolvida se apresentava altas taxas de crescimento em sua economia, colocando em segundo plano, outros dados como educação, pobreza, segurança. O conceito econômico é relativizado por Sen, pois ele entende que o desenvolvimento deve estar relacionado, sobretudo, com a melhora da qualidade de vida que levamos e das liberdades que desfrutamos.

Portanto, uma nação ou povo pode estar relacionado entre os mais ricos do mundo, mas se não oferecer as liberdades necessárias para um desenvolvimento completo do ser humano, ela não pode ser considera desenvolvida. As principais formas de privação de liberdades que uma pessoa pode ser submetida é negá-la acesso aos serviços de saúde, saneamento básico, educação funcional e segurança econômica social. E quando falamos em privação de liberdades não podemos deixar de mencionar as liberdades dos direitos políticos e civis básicos. Em resumo, podemos dizer que uma sociedade é desenvolvida se cada membro dela desfruta da liberdade para fazer as coisas que são justamente mais valorizadas e pode ser livre para melhorar o seu potencial de cuidar se si mesma e influenciar a sociedade em que vive.

Essas afirmações levam-nos a algumas reflexões sobre a liberdade e o desenvolvimento que estamos vivendo em nossa sociedade brasileira. Hoje somos um país com uma economia robusta, elogiada por todo o mundo, entretanto precisamos ter um olhar crítico com relação a esse dado econômico. É necessário não somente olhar para os recursos e rendas das pessoas, mas principalmente como elas têm vivido. Algumas perguntas caberiam aqui: todos têm acesso à educação de qualidade e desfrutam de um sistema de ensino que potencialize suas capacidades individuais? O saneamento básico pode ser encontrado nas comunidades mais pobres de nosso país? Temos liberdade de escolha de emprego? Todos têm a liberdade de viver até idades mais avançadas, tendo todos os seus direitos garantidos?

Sei que existem milhares de outras perguntas a serem feitas quando olhamos para nossas comunidades. Eu mesmo quando escrevia cada questionamento desses me reportava a uma situação onde esses direitos nunca foram respeitados. E você o que me diz sobre o desenvolvimento de sua comunidade? Que liberdades não têm sido respeitadas? E você desfruta da liberdade para fazer as coisas que são justamente mais valorizadas na sua sociedade?

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A Arte do Encontro



Sempre desejei escrever algo sobre política, desenvolvimento comunitário ou movimentos sociais. Não negarei que não o fiz antes, pois ficava receoso sobre o quê escrever ou como escrever. Entretanto, no ano passado iniciei uma pesquisa sobre a Participação Popular e o seu Impacto nas decisões dos gestores públicos. Ao longo da pesquisa o meu pensamento foi se ampliando em diversos temas, tanto por causa da pesquisa, como também pelo trabalho junto às comunidades.

Foi nesse momento que percebi mais claramente como nossa sociedade ainda precisa superar diversas barreiras para torna-se mais justa. As pessoas continuam sendo privadas da liberdade de se desenvolverem integralmente. Essa privação aparece em um sistema de educação falho, na humilhação para ter acesso à saúde e moradia, na ausência de segurança e no direito que muitos não têm de viverem. Em resumo, mesmo com o grande desenvolvimento econômico do nosso país, milhares de pessoas continuam as margens da sociedade em condições subumanas.

Então, como tratar tudo isso? A resposta em minha cabeça era rápida: participação social. Eu pensava rapidamente se todas as comunidades se reunirem, se todos estiveram com o mesmo pensamento, nós vamos conseguir uma grande mudança. Mas, essa era a grande questão, nem todo mundo pensava igual, nem todos estavam interessados no mesmo tema. Portanto, como convencer as pessoas a participarem de um processo de mudança? Antes disso, como mostrar que a situação que muitos se encontram é injusta e que existe a possibilidade de mudança?

Um dia eu estava na fila do ônibus e comecei a observar ao redor. Existiam duas filas: uma para idosos, gestantes, portadores de necessidades especiais e mães com crianças no colo, e a outra fila para o restante da população. Quando o ônibus chegou notei que muitas pessoas correram para a filha reservada para pessoas com as necessidades acima citadas, mesmo sem se enquadrar naqueles padrões. O que essas pessoas estavam fazendo era incorreto, estavam tentando tirar vantagem de uma situação.

Não entrei no ônibus, sentei e comecei a meditar ainda chateado com a cena. Mas, pensei, eu não posso convencer aquelas pessoas a entrarem de maneira correta, o que eu posso fazer é entrar no ônibus em minha fila, pois se eu não fizer isso serei contado como mais um que desrespeita o direito do outro. E de maneira até rudimentar, elevei o meu pensamento sobre a participação social: não posso convencer todos a participarem de movimentos de luta por seus direitos e liberdades, mas posso começar a lutar por aquilo que acho justo e digno com pequenas atitudes.

Não sou o único que entra pela fila correta do ônibus, como também não sou o único que deseja uma sociedade melhor. Isso nos anima, porque sabemos que podemos conquistar muitas coisas juntos, só precisamos nos encontrar, afinal: “ninguém muda ninguém, ninguém muda sozinho, nós mudamos nos encontros” (Roberto Crema). E vamos nos encontrar muitas vezes por aqui e em outros locais para promover a nossa mudança, e isso é participação social: A arte do encontro!

Como Lutar Pela Democracia?

Nos dias que antecederiam o afastamento da Presidenta Dilma Roussef de suas funções no Governo Federal, recordo que fomos até a Avenida...